Processo para a identificação dos corpos será longo

PF barra parentes e ressalta que entrega de objetos pessoais não será possível, por causa da investigação

, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

Desde ontem no País, o embaixador nomeado pelo Ministério das Relações Exteriores da França para acompanhar a assistência às famílias das vítimas do AF 447, Pierre-Jean Vandoorne, ofereceu aos parentes dos passageiros, no Rio, um atestado de presença no voo, que está sendo emitido pela companhia aérea francesa. Ele explicou que, na França, com esse documento os familiares podem dar entrada em pedidos de atestado de óbito e, com isso, acelerar processos cíveis. Os atestados, disse Vandoorne, já ficarão disponíveis para os parentes também no Brasil. O embaixador chega hoje ao Recife, para reunião com peritos, às 15 horas.Na sexta-feira, parentes de vítimas tentaram acompanhar os trabalhos no Instituto de Medicina Legal (IML) do Recife. A Polícia Federal (PF) e a Secretaria de Defesa Social (SDS) vetaram a entrada dos familiares. "Foi frustrante. Tínhamos a expectativa de ter acesso aos corpos, mas não pudemos vê-los. Também queríamos a liberação imediata daqueles que já fossem identificados. Mas nada disso aconteceu. E o pior: não há prazo para que isso ocorra", afirma Nelson Marinho, cujo filho, o engenheiro mecânico Nelson, estava na aeronave. A justificativa é de que, nesse momento, a visita não favoreceria os trabalhos. Mas a realidade é que o processo de identificação das vítimas - foram resgatadas até sexta-feira 50 das 228 pessoas a bordo - deve demorar. Ao contrário das buscas, que podem ser encerradas em até uma semana, nesse caso não há prazos claros. Ontem, mais 21 dos corpos encontrados chegaram ao IML do Recife.Ainda segundo a PF, a entrega ou apresentação de objetos pessoais encontrados com as vítimas também não poderá ser feita. "São provas materiais, que não podem ser manuseadas, sob o risco de serem contaminadas", afirmou a Polícia Federal, em nota.Na noite de ontem, em entrevista coletiva realizada na sede do Cindacta III, o comando da Aeronáutica e da Marinha informou que, pela primeira vez desde o início da operação de busca, foi necessário recolher as aeronaves, por causa do mau tempo.O navio Gammagas, de bandeira antiguana, recolheu um destroço que pode ser do airbus. "O comandante tentou contato com os navios que estavam na área, mas não obteve retorno. Por isso mandou um e-mail para o Salvamar com algumas fotos. Ainda não sabemos como faremos a transferência para uma das nossas embarcações", disse o almirante Edison Lawrence. ANDREI NETTO, MONICA BERNARDES, DANIELE CARVALHO e ANGELA LACERDAFRASEPierre-Jean VandoorneEmbaixador da França no trato com as famílias "Há protocolos muito precisos e meios antropomórficos avançados, mas é preciso ser paciente para evitarmos erros"

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