Processos provocam rachadura em fórum

Papel empilhado - pelo menos 100 toneladas - fez laje de prédio ceder

Lais Cattassini, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

A quantidade excessiva de processos no prédio do Fórum de Execuções Fiscais Estaduais, no centro de São Paulo, provocou fissuras na parede de todos os andares do edifício, que tem apenas 12 anos. O fórum, que antes ficava na Rua Vergueiro, na zona sul, foi transferido para o bairro da Liberdade há pouco mais de um ano. O número de processos, de acordo com a juíza auxiliar Ana Maria Brugin, que responde pela vara de execuções paulista e pela diretoria do prédio, é superior a 2 milhões.Segundo o engenheiro do Tribunal de Justiça, Cláudio Roberto Vaguetti Ferrari, o volume de papel fez a parede se distanciar do pilar de sustentação. Em um cálculo aproximado, cada processo pesa, no mínimo, 50 gramas, o que renderia um peso mínimo de 100 toneladas de papel em uma laje totalmente despreparada para esse volume. "A quantidade de processos empilhados no centro do prédio faz a laje começar a ceder, o que causa a movimentação da parede e provoca a rachadura", explica Ferrari. A fissura começou no 11º andar e já atingiu a parede do 2ª pavimento."A rachadura tem crescido cerca de 1 milímetro por dia. É assustador, pois muitas pessoas passam pelo fórum diariamente", declara o advogado Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que acompanha o problema. Para garantir a segurança dos funcionários foi realizado um laudo por uma empresa de engenharia particular no fim do ano passado. "Foi recomendado que retirássemos os processos empilhados nos corredores entre as prateleiras e ampliássemos o arquivo no subsolo, acelerando o processo", explica o assessor da presidência do Tribunal de Justiça, Paulo Sérgio Brant de Carvalho. Essa mudança começou a ser feita em fevereiro.SEM PERIGO"Não há motivo para preocupação. Surgiram apenas trincos na parede que não representam perigo aos frequentadores", declara o administrador do prédio, Roberto Fuzinelli. O próprio Tribunal de Justiça, entretanto, confirma oficialmente que o problema poderia se agravar, "caso não houvesse intervenção". "O peso excessivo existe, mas a estrutura do prédio não foi abalada. Por enquanto, não há nenhum risco", afirma Carvalho.Segundo o engenheiro Ferrari, o problema foi estabilizado. "Se não fossem tomadas as providências, como tomamos, o prédio poderia continuar a se movimentar. O que não pode é aumentar a carga em cada andar."

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