Procura por Portinari nunca esteve tão em alta

Galeristas dizem que o período em que foi pintada a tela furtada do Masp é o mais valorizado

O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2007 | 00h00

O galerista Ricardo Camargo diz que tem crescido a procura por obras de Portinari, especialmente as do período compreendido entre 1930 e 1940 - o mesmo de O Lavrador de Café, do Masp. Ele vendeu recentemente três desenhos do artista para colecionadores particulares. Um simples guache de Portinari (de 50 x 70 centímetros) pode alcançar R$ 300 mil. Os maiores colecionadores do pintor estão concentrados em São Paulo e Rio, segundo Ricardo Camargo, irmão de Ralph Camargo, que tem 5.600 obras catalogadas pelo Projeto Portinari, comandado pelo filho do pintor. O projeto, segundo Soraia Cals, "deu credibilidade" ao mercado de suas obras."Hoje, só se compra um Portinari falso se quiser", diz, reafirmando que 95% das obras do artista estão em mãos de colecionadores particulares. Ele confirma que as obras dos anos 40, por serem mais raras, são as mais procuradas, definindo o perfil do colecionador de Portinari como o do "investidor clássico" - menos audacioso que o do colecionador de artistas contemporâneos. "Não é o tipo de colecionador que queira especular muito, porque sabe que Portinari é moeda certa."O galerista Peter Cohn, da Dan Galeria, que trabalha com artistas modernistas e contemporâneos - com uma procura mais acentuada dos primeiros -, confirma a preferência por Portinari. Já vendeu uma pequena tela sua (de 24 x 35 centímetros) por R$ 900 mil e atesta que o período mais procurado é o dos anos 40, não incluindo aí as telas de temática social, menos disputadas que as pinturas com cenas como crianças brincando ou músicos de bandas populares. Diz ele que o colecionador gradativamente migra para as telas geometrizadas pintadas por Portinari nos anos 50 e 60, mas ainda é a fase da tela do Masp que mais interesse desperta nos compradores.RESGATEO galerista diz que, entre os pintores modernistas, Ismael Neri e Anita Malfatti compõem a tríade dos mais cobiçados junto com Portinari. Guignard, Volpi e Pancetti são outros três muito procurados pelo mercado, no qual inexistem colecionadores excêntricos capazes de pagar uma fortuna por um Portinari furtado para contemplá-lo da intimidade. "Pelo menos nunca ouvi falar que existam no Brasil", garante Cohn, não descartando a hipótese de que as telas do Masp tenham sido seqüestradas para futuro pedido de resgate.

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