Procurador dá parecer favorável à extradição de Abadía

Parecer do MPF será levado em consideração quando a extradição do traficante for levada ao Supremo

Felipe Recondo, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2008 | 14h53

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, deu parecer pela extradição do megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía para os Estados Unidos. No documento, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana, o procurador diz não haver impedimento legal para a extradição do traficante. Foragidos internacionais presos no Brasil Considerado um dos maiores traficantes de droga do mundo, com patrimônio pessoal de US$ 1,8 bilhão (R$ 3,4 bilhões),  Abadía foi preso em 6 de agosto de 2007, pela Polícia Federal, em sua casa em um condomínio de luxo em Aldeia da Serra, Barueri, na Grande São Paulo. Ele é um dos chefes do Cartel do Norte do Vale, na Colômbia, o maior fornecedor de cocaína e heroína para os Estados Unidos - Abadía é acusado de enviar mil toneladas de cocaína para o país de 1990 a 2004. Ele é apontado como mandante da morte de 300 pessoas na Colômbia e 15 nos Estados Unidos. No pedido de extradição, formulado pela justiça norte-americana em outubro do ano passado, Abadía é acusado de conspiração para efetuar lavagem de dinheiro, conspiração para o tráfico internacional de cocaína e homicídio. Documentos encaminhados pelos Estados Unidos, na avaliação do procurador, dão "indicações seguras sobre o local, data, natureza e circunstâncias" da prática desses crimes. Todos os delitos, de acordo com o procurador, estão incluídos em tratados de extradição assinados por Brasil e Estados Unidos.  O fato de Abadía responder a processo por lavagem de dinheiro no Brasil também não é impedimento para a extradição. De acordo com o procurador, cabe ao presidente da República avaliar a "conveniência e oportunidade" de extraditar Abadía antes de concluído o processo no Brasil.  No documento, Antonio Fernando de Souza ressalta apenas uma restrição ao processo de extradição: os Estados Unidos devem, formalmente, assumir o compromisso de trocar uma eventual condenação à prisão perpétua ou à morte por uma pena de prisão com o prazo máximo de 30 anos. O parecer do Ministério Público será levado em consideração quando o pedido de extradição do traficante for levado ao plenário do Supremo. O pedido é relatado pelo ministro Eros Grau e ainda não tem prazo para ser incluído na pauta de julgamentos do STF. A extradição, na avaliação dos advogados do traficante, é de interesse do traficante. Prova disso foi a oferta feita por Abadía à Justiça brasileira para que sua extradição fosse deferida o mais rápido possível. Em audiência na 6ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de São Paulo, Abadia ofereceu US$ 40 milhões em troca de apoio à sua extradição e à extinção das acusações que pesam contra sua mulher, Yéssica Paola Rojas Morales. Nos EUA, a intenção de Abadia era de negociar a redução de sua pena em troca de dinheiro.  A proposta, porém, foi recusada pelo juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal. O juiz afirmou, ao negar o acordo, que "a Justiça não deseja dinheiro" e que Abadía não estaria "disposto a colaborar, mas apenas impor a condição de se afastar de presídio federal, de não cumprir pena no Brasil, mas apenas nos Estados Unidos, além de desejar a extinção ou absolvição de sua pena e de sua mulher". Antes da prisão do megatraficante, o Departamento de Estado americano oferecia recompensa de US$ 5 milhões por informações que levassem à sua captura. Havia pelo menos dois anos que os agentes da PF seguiam os rastros de Abadía no Brasil. O colombiano saiu de seu país em meio à guerra entre facções do cartel, depois de os Estados Unidos pedirem sua extradição em 2004. Aqui, ele morou em Curitiba (PR), no Rio Grande do Sul e, por fim, em São Paulo. Vivia recluso e tinha contato com poucas pessoas de sua confiança - todos colombianos.

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