Procurador denuncia plano de fuga de Beira-Mar

O procurador-geral de Justiça do Estado, José Muiños Piñeiro Filho, afirmou hoje ter recebido documentos que mostram a suposta existência de um plano para resgate do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, preso provisoriamente no Batalhão de Choque da Polícia Militar, no centro. Piñeiro disse ter avisado as autoridades policiais do fato "no dia 17 ou 18". Segundo ele, as informações não resultaram de interceptações telefônicas, como a gravação divulgada ontem, na qual o preso Marcos Antônio da Silva Tavares, o Marquinho Niterói, planeja o fechamento do comércio da cidade."Posso afirmar que o Ministério Público tomou conhecimento e informou a polícia sobre um plano para a fuga de Beira-Mar. Temos um documento, papel, texto escrito, que faz referência a um resgate do Batalhão de Choque", disse o procurador-geral, sem dizer se o planejamento prevê o uso de helicóptero. Muiños não quis precisar a exata origem dos documentos. Segundo ele, a possibilidade de resgate é real, uma vez que o local onde está sendo mantido o traficante "não é o ideal". "É sempre possível. O risco existe, até porque o nosso sistema penitenciário é muito falível. O próprio Batalhão está se superando. Não é o ideal, mas agora é o único lugar que garante segurança."Ao comentar o plano de resgate, o procurador-geral ironizou declarações do secretário da Segurança, Roberto Aguiar, que disse ser difícil prever quando e onde haveria a ação dos criminosos para o fechamento do comércio. "É claro que não há previsão de dia nem hora, mas significa que deve se ter toda a atenção." Muiños criticou a atuação da secretaria no episódio de segunda-feira. "A fita (em que Marquinho Niterói fala do fechamento do comércio) já havia sido entregue e quase nada foi feito. O sistema falhou e seria nobre admitir isso. No dia do incidente, voltei a telefonar para o secretário para lembrá-lo e indagar dos procedimentos adotados. Ele me disse que as apurações estavam em curso."Piñeiro Filho, 46 anos, foi nomeado em janeiro de 1999 pelo governador Anthony Garotinho, então no PDT. Em 2001, foi renomeado para o cargo pelo governador. Atuou como promotor no caso da atriz Daniela Perez, atriz assassinada em 1992, e nas chacinas da Candelária e de Vigário Geral, em 1993. Acusado pela oposição de deixar o Estado com um rombo financeiro para disputar a Presidência, em abril, Garotinho (PSB) entregou a Piñeiro no dia da renúncia documento autorizando a quebra de seu sigilo bancário e o de sua mulher, Rosinha Matheus, hoje adversária de Benedita da Silva (PT) na sucessão estadual. No dia 20 do mesmo mês, compareceu à festa de aniversário de Garotinho em uma churrascaria da zona sul.

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