Procurador destaca ''cobrança'' da imprensa

Rodrigo de Grandis disse, em debate com repórter do 'Estado', que combate à corrupção necessita da ação dos jornalistas

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 00h00

O procurador da República, Rodrigo de Grandis, responsável pelo inquérito que acusa o deputado Paulo Maluf (PP-SP) de lavagem de dinheiro, apontou ontem, em debate com o jornalista do Estado Leandro Colon no Instituto Internacional de Ciências Sociais, em São Paulo, que a imprensa contribui de forma crucial no combate à corrupção, ao divulgar fatos que se tornam base para futuras investigações do Ministério Público.

"A imprensa cumpre seu papel ao apontar o fato", disse o procurador, acrescentando que uma denúncia veiculada na mídia pode dar início a inquéritos. "No caso Maluf, primeiramente a imprensa veiculou as denúncias, que depois foram investigadas pelo Ministério Público."

Para ele, o MP deve usar a imprensa para comunicar à sociedade as medidas tomadas pelo órgão. "Por um lado, o procurador não deve se expor mais que o necessário. Toda investigação, por definição, é sigilosa. Por outro, o MP é um órgão da sociedade e o procurador deve prestar contas aos seus patrões. E a imprensa é a forma de fazer isso."

Leandro Colon - que atuou em coberturas como o escândalo dos atos secretos do Senado, em 2009 - concorda que cabe à imprensa divulgar as denúncias de corrupção. "Há coisas que fogem ao nosso controle, mas estamos cumprindo com o nosso papel", disse. Ele afirma, porém, que a imprensa poderia acompanhar mais ativamente processos parados no Judiciário. "Aqui faço um "mea culpa": debito parte da responsabilidade na omissão da imprensa em acompanhar processos antigos."

Os dois concordam que a lentidão dos órgãos de controle e da Justiça diante das denúncias exacerba a sensação de impunidade. Eles apontam o excesso de recursos judiciais e o foro privilegiado (que determina que congressistas sejam julgados apenas pelo STF) como fatores que dificultam a punição de políticos corruptos. Desde 1998, afirma o promotor, houve no Brasil apenas uma condenação em definitivo por lavagem de dinheiro. "Mas sou otimista. A situação tem melhorado", diz.

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