Procurador italiano antimáfia visita o Brasil

Em visita ao Brasil para conhecer o Programa Nacional de Proteção à Testemunha, o procurador nacional antimáfia da Itália, Pietro Grasso, disse, nesta segunda-feira, que ?hoje, a Itália não é o país da máfia, e sim da antimáfia?.Grasso afirmou que o sucesso no combate aos mafiosos em seu país se deveu à ampla política de proteção às testemunhas e à independência que os juízes e promotores tiveram para investigá-los e puni-los.Atualmente, 5.174 italianos estão sob a proteção do Estado, entre testemunhas que ajudaram na elucidação de crimes e seus familiares, além de criminosos que decidiram colaborar com a Justiça para obter benefícios como a redução da pena.De acordo com Grasso, que proferiu palestra na Escola da Magistratura do Estado do Rio (Emerj), as verbas para proteção dessas pessoas são ?secretas e ilimitadas?.No Brasil, existem 392 pessoas beneficiadas pelo Programa de Proteção à Testemunha, conforme informou seu coordenador, Fernando Santos Matos. Matos disse que 51% dos bandidos acusados por tais pessoas estão em liberdade, e 17%, foragidos. Ele afirmou ainda que, por aqui, a criminalidade ainda não tem a organização da máfia italiana, mas ressalvou que os bandidos vêm ?formando redes nacionais?.Na ocasião, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Marcus Faver, afirmou que o Brasil ajudou a Itália durante a Operação Mãos Limpas, que culminou com a prisão de diversos mafiosos.Tomaso Buschetta, um dos mais importantes criminosos italianos, foi detido no Brasil. Faver disse que esteve por muitas vezes com o juiz Giovani Falcone, que investigava a máfia e foi assassinado por ela.Segundo Faver, Falcone dizia que precisava mostrar ao mundo que a Itália não era a máfia.

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