Procurador poderá pedir prisão temporária de Freud Godoy

O procurador da República em Mato Grosso, Mário Lúcio Avelar, pode apresentar o pedido de prisão temporária de Freud Godoy, assessor especial da Presidência, que pediu demissão hoje. O procurador já formulou o pedido, mas ainda não o encaminhou à Justiça. Freud é apontado pelo advogado Gedimar Pereira Passos como o responsável pela compra de dossiê sobre o envolvimento de tucanos na máfia das ambulâncias.Para justificá-lo, Avelar anexou trechos do depoimento do advogado no qual ele revela que foi "a mando de um Froude ou Freud" que iria realizar o pagamento de R$ 1,75 milhão aos emissários do empresário Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia do esquema de vendas de ambulâncias superfaturadas.Em sua minuta com seis páginas, o procurador considera importante que Freud seja detido temporariamente para ser interrogado sobre a compra de dossiê. Em sua sustentação, Avelar lembrou que, com o incentivo de Freud, Vedoin não cumpriu a delação premiada, como tinha sido pactuado.Na argumentação, Freud entrou para o rol de suspeitos de crime graves, como o de ocultação de provas, interrompendo o trabalho da Justiça, já que no processo de delação premiada a colaboração deve ser espontânea e integral, não dando espaço para qualquer tipo de negociação.Na sua proposição, o procurador lembrou um outro trecho do depoimento de Passos, no qual o advogado preso em flagrante com o dinheiro para compra de dossiê revelou "que a família Vedoin se dispôs a vender ao PT informações graves que envolvem não só políticos de outros partidos, mas também do próprio PT". Essas informações, pela delação premiada, deveriam ter sido apresentadas voluntariamente à Justiça e não vendidas a quem quer que seja. Amanhã, o procurador pretende dar uma redação final ao pedido.AcareaçãoA acareação entre Freud Godoy e o advogado Gedimar não trouxe novas acusações, nem confirmou as que já existiam. De acordo com o advogado Augusto Arruda Botelho, responsável pela defesa de Freud Godoy, Gedimar não confirmou as acusações de que Freud Godoy teria participado da intermediação de suposta compra de dossiê que envolveria os tucanos Geraldo Alckmin e José Serra no esquema dos sanguessugas."Gedimar ficou em silêncio, usando o direito de permanecer calado durante a acareação, alegando que os advogados dele não tiveram acesso, até o momento, ao inquérito instalado pela PF em Cuiabá", declarou Botelho, em entrevista coletiva na superintendência da Polícia Federal em São Paulo.Segundo ele, a acareação durou cerca de cinco minutos e Freud reiterou não ter nenhuma relação com os fatos e tampouco ter mantido contado com Gedimar para tratar desse assunto. "Foi uma acusação inverídica, absurda e fantasiosa (feita contra Freud) por uma pessoa desesperada e que está presa", declarou Botelho.O advogado não soube esclarecer porque o assessor da Presidência sofreu a acusação. "Freud é um nome quase cinematográfico e fácil de falar. A minha suposição é que foi por isso que Gedimar o acusou. E não temos informações de onde surgiu tal acusação", acrescentou.O depoimento de Freud Godoy durou cerca de 20 minutos, de acordo com o advogado que, até o momento, disse não ter obtido acesso aos autos do inquérito. "O inquérito corre em Cuiabá e ainda não tivemos nenhum acesso. Quero reiterar que Freud tem todo o interesse em esclarecer os fatos e deixar claro que o comparecimento dele foi voluntário e não foi por convocação", acrescentou. Freud Godoy já deixou a superintendência da PF em São Paulo sem falar com os jornalistas.Preocupação de LulaEm entrevista à TV Globo, nesta segunda-feira, o assessor contou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou preocupado com a questão de quebra de confiança. "Eu coloquei que se ´o problema do senhor de governar e de campanha for esse, o senhor pode colocar a cabeça no travesseiro e dormir muito tranqüilo porque tenho como afirmar e como provar que eu não tenho nada a ver com isso", teria dito o assessor a Lula, segundo contou na entrevista.Freud Godoy também confirmou na entrevista à Globo que se encontrou quatro vezes com Gedimar Passos, em Brasília, mas negou qualquer envolvimento com a compra do dossiê.

Agencia Estado,

18 de setembro de 2006 | 22h41

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