Procurador vai refazer denúncia contra militares

MPE cometeu alguns equívocos e omitiu parte do relatório policial

Marcelo Auler, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2008 | 00h00

Os procuradores da República encarregados de analisar os crimes cometidos pelos 11 militares do Exército já decidiram não ratificar a denúncia apresentada pelo promotor estadual Marcos Cak ao juiz Sidney Rosa da Silva, do 3º Tribunal do Júri. Por entender que o crime envolve servidores da União, o magistrado encaminhou o caso à Justiça Federal.Segundo o Estado apurou, os procuradores, após uma leitura superficial do inquérito, acham que a denúncia do Ministério Público Estadual é sucinta. Seria preciso detalhar a participação de cada militar no crime. Na verdade, o promotor Cak cometeu equívocos e deixou de especificar a conduta de dois denunciados - o 3º Sargento Bruno Eduardo de Fátima e o soldado Rafael da Costa Sá. Na sua denúncia, o promotor deixou de citar detalhes da apuração, como o fato de o tenente Ghidetti, ao entregar os jovens, ter apertado as mãos de um criminoso e dito a frase "Aqui está um presentinho pra vocês", como descreveu o delegado Ricardo Dominguez Pereira, da 4ª Delegacia Policial, no relatório final do inquérito.A denúncia também não fala de um telefonema dado por um jovem do Morro da Providência para o celular que estava com um dos jovens presos, quando uma voz masculina anunciou: "Perdeu, perdeu! Nós já vendemos eles para a Mineira. Já foi passado os três! (sic)" Apesar de não usarem a denúncia estadual, os procuradores já entraram em entendimento com a promotora estadual Márcia Velasco, da Central de Inquéritos, para que ela e o delegado Dominguez continuem colaborando na investigação. A expectativa é de apresentar a nova denúncia até sábado.

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