Prodesp diz que só seus telefones são monitorados

A Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) informou, em nota, que "somente monitora suas linhas telefônicas e não tem acesso a linhas ou centrais telefônicas de qualquer outro órgão da administração pública em geral, sejam seus clientes ou não".

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2011 | 00h00

A empresa sustentou também que a contratação da Fence Consultoria Empresarial Ltda. foi totalmente regular: "Obedeceu rigorosamente aos preceitos legais e dispositivos previstos na Lei de Licitações e já foi analisada pelo Tribunal de Contas do Estado e julgada regular".

O Estado indagou se o governador Geraldo Alckmin tinha conhecimento do contrato e se via a necessidade dessa contratação. A assessoria do Palácio dos Bandeirantes não respondeu a essas perguntas e argumentou que a manifestação oficial era a da Prodesp, repassada à reportagem pela Secretaria de Gestão Pública. Procurada desde a semana passada pelo Estado, a assessoria do ex-governador José Serra informou que não conseguiu encontrá-lo até o fechamento desta edição.

O proprietário da Fence Consultoria, coronel reformado do Exército Ênio Gomes Fontenelle, explicou que sua empresa atua na área de consultoria em segurança de comunicações. "Faz contrainformação, varredura", afirmou. De acordo com ele, a Fence trabalha na detecção de escutas clandestinas, tanto em telefones como ambientes, e não realiza nenhum tipo de proteção de dados.

Fontenelle disse também que não poderia informar quem o procurou em 2008 para contratar a Fence: "Isso é informação privilegiada do cliente". Fontenelle reafirmou a versão apresentada pela Prodesp, segundo a qual nunca houve necessidade de varreduras fora de sua sede nem a realização de qualquer visita em caráter de emergência.

O coronel reformado explicou que funcionários da empresa Fence - que tem sede no Rio de Janeiro - vêm a São Paulo uma vez por mês com os equipamentos para a realização do serviço contrato pela Prodesp.

O dono da Fence, Ênio Gomes Fontenelle, é coronel reformado do Exército e foi chefe da área de comunicações do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI).

O SNI foi o órgão de inteligência que operou durante os anos da ditadura militar e depois foi substituído pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Em 1993, Fontenelle se aposentou e montou a Fence. A empresa prestou serviços para outros órgãos públicos, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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