Produção de jeans faz bairro ganhar mercado internacional

Fábricas do Brás produzem 10 milhões de peças por mês e investem em propaganda com famosas, como Cicarelli

O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2007 | 00h00

Além da vantagem dos preços, o Brás vem conquistando qualidade e mercado internacional. E isso se deve principalmente às fábricas de jeans, que produzem 10 milhões de peças por mês. Elas se profissionalizaram e hoje desenvolvem produtos mais modernos e com capacidade para competir até com marcas internacionais. Para elevar o conceito das confecções, a Associação dos Lojistas do Brás (AloBrás) investe em desfiles de coleções com famosos como as apresentadoras Adriane Galisteu e Daniela Cicarelli. Esta última chegou a embolsar R$ 25 mil para desfilar para a grife Sawary, uma das grandes grifes do Brás. Hoje, é garota-propaganda da marca.A Sawary chegou a um patamar que serve de parâmetro para as novas confecções de jeans que querem crescer. A marca tem 15 mil pontos de revenda pelo Brasil, além de showrooms em Miami e no Líbano. Os proprietários são jovens empresários libaneses que desembarcaram no Brasil no início da década de 90. "Começamos a empresa do zero", diz Miled Khoury, de 36 anos, um dos sócios. Hoje a fábrica tem 350 funcionários diretos e 7 mil indiretos. "O Brás é mágico", diz ele. "Começamos vendendo para sacoleiras e alguns lojistas. Continuamos com eles, mas criamos uma linha diferenciada há quatro anos que trouxe outros clientes ", diz. Khoury orgulha-se de ter lançado no mercado a calça que levanta o bumbum. "Patenteei o modelo que virou sucesso de mercado."Além da modelagem, um dos grandes diferenciais de uma calça jeans é o tipo de lavagem que o tecido recebe. Ela confere a aparência, por exemplo, de mais usado ou manchado. "Fazemos as mesmas lavagens de marcas disputadas como a Diesel." O preço médio de uma calça jeans da Sawary é R$ 69. Uma da Diesel pode sair por R$ 1 mil. "Em muitos Estados brasileiros um calça da Sawary chega a ser revendida por R$ 150 ou mais para um público de classe A. Em São Paulo não é assim. Esse tipo de consumidor se liga mais ao nome da marca do que ao fato de a calça vestir bem", afirma o empresário.Os compradores que vêm de outros países para se abastecer no Brás ficam impressionados com a região. "Eles dizem que o bairro parece um grande supermercado de jeans", diz Khoury. "Aqui temos muitos produtos para pronta entrega. Nos Estados Unidos, o comprador tem de encomendar as peças." O sucesso da Sawary levou o empresário a diversificar os negócios: Khoury entrou para o time de sócios do Buddha Bar, novo bar da Daslu, inaugurado na quarta-feira.

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