Professor da UFSC acusa PMs de agressão; caso será apurado

Uma sindicância interna da Polícia Militar de Santa Catarina vai apurar a denúncia de agressão feita por um professor universitário de 69 anos, em Florianópolis. Na noite de sábado, Nilson Lage foi abordado por policiais enquanto estava dormindo dentro de seu carro num acostamento do bairro Campeche, na capital catarinense. Ele contou que parou o veículo quando percebeu que estava prestes a pegar no sono. "Quando acordei, estava apanhando", acusa. No relatório da PM, consta que o professor reagiu com insultos à abordagem dos policiais e, ao ser levado para a delegacia, recusou-se a fazer o teste do bafômetro. Lage teve a carteira de motorista retida mas foi liberado após pagar fiança de R$ 890. Ele responderá processo por dirigir embriagado. Depressão Professor titular do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desde 1992, Lage diz que está trabalhando na reedição de alguns de seus livros. "Trabalho durante o dia e à noite vou dar uma volta. Naquele sábado, saí por volta das 19 horas e tomei duas taças de vinho", recorda. Em conversa com seu médico, Lage, que faz tratamento para depressão há cerca de dois anos, levantou a suspeita de ter tomado a medicação errada naquele dia, o que teria provocado a sonolência. "Não estava bêbado. Estava dopado", afirma. O professor admite que pode ter reagido com insultos, mas reclama da brutalidade com que teria sido tratado pelos policiais. "Algemaram minhas mãos para trás e quando me jogaram no carro machuquei os punhos. Também estou com ferimentos na cabeça, nos joelhos e nos ombros", acusa. Ele diz que se negou a fazer o bafômetro porque o teste seria aplicado pelo mesmo policial que o agrediu no local da abordagem. No sábado, a PM foi acionada por moradores que acharam estranho o veículo com o motorista dormindo no local. Lage acredita que pegou no sono por volta das 21 horas. Os policiais o abordaram às 23 horas. No relatório da ocorrência, não consta violência contra o professor. Sindicância O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa do Cidadão, Ronaldo Benedet, determinou a instalação de sindicância para apurar o caso. Os nomes dos responsáveis pelo trabalho devem ser anunciados após o carnaval. Hoje Lage teve uma conversa informal com o ouvidor da Secretaria. Após a divulgação do caso na imprensa local, o professor tem recebido apoio da UFSC e de entidades de classe. "São de indignar as marcas apresentadas pelo professor Nilson, dando mostras inequívocas de violência física contra ele", escreveu em nota oficial o reitor da universidade catarinense, Lúcio José Botelho. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também divulgou nota denunciando "a inexplicável e bárbara violência cometida contra o professor universitário, jornalista e escritor". Com uma carreira de 50 anos no jornalismo, Lage trabalhou nas principais redações do Rio de Janeiro e também foi professor da Universidade Federal Fluminense e da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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