Professor é morto a facadas e pauladas dentro de escola

O professor de educação física Alberto Ribeiro de Vasconcellos, de 49 anos, foi assassinado a facadas e pauladas dentro da Escola Municipal Expedicionário Aquino de Araújo, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A polícia investiga se ele foi morto por vingança. Há pouco tempo, Vasconcellos teria repreendido alunos envolvidos com o tráfico de drogas que vendiam maconha na porta da escola. As aulas foram suspensas até quinta-feira.O corpo do professor foi encontrado na manhã de hoje por uma caseira da Aquino de Araújo. Vasconcellos havia ficado na escola até mais tarde para agilizar o processo de matrícula no ensino médio dos alunos que vão concluir o ensino fundamental - além de professor, ele também era auxiliar administrativo na rede municipal. A informação, passada pela Secretaria de Educação, foi contestada pelo comandante do Batalhão da PM de Caxias, Dinaldo Macedo. "Ele costumava dormir na escola e foi morto por quem conhecia esse hábito".A polícia acredita que o criminoso tenha arrombado a porta da secretaria. Ele usou duas facas da cozinha da escola para matar o professor, que foi golpeado 10 vezes pelas costas. Vasconcellos também recebeu pauladas na cabeça e ficou com vários cortes no rosto. Nada foi roubado do professor. Algumas salas chegaram a ser arrombadas, mas a polícia informou que o criminoso nada levou.Mesmo ferido, Vasconcellos tentou pedir ajuda. Ele se arrastou pelo pátio da escola até um telefone público. O cunhado dele, o vendedor Marcelo Carvalho, de 38 anos, contou que por volta das 2h30 recebeu duas ligações, mas quem estava do outro lado da linha permaneceu mudo. Por um identificador de chamadas, Carvalho reconheceu o número da escola.PavorVasconcellos trabalhava há 17 anos no colégio e morava a menos de um quilômetro dali, com os irmãos. Ele não era casado nem tinha filhos. O crime chocou alunos, professores e funcionários. "Ele era uma pessoa tranqüila, tinha boa relação com os alunos. Não sei o que explica um assassinato dessa maneira. Estou com muito medo de trabalhar num colégio assim. Estamos apavorados", disse a inspetora Jurema de Oliveira Barbosa, de 42 anos.A secretária de Educação, Roberta Barreto, chorou ao comentar o crime - o segundo em escolas do município este ano. Em abril, o professor de matemática Luiz Felipe Magalhães, de 28 anos, foi assassinado com dois tiros numa tentativa de assalto à Escola Estadual Nova Topp. "Professores trabalham por amor à cidadania. Os alunos que formamos aqui vão reverter essa situação de violência", disse Roberta.O prefeito de Caxias, José Camilo Zito dos Santos, reclamou da falta de policiamento na cidade. "Estamos nas mãos de Deus e à mercê dos bandidos", afirmou. O comandante do batalhão de Duque de Caxias, Dinaldo Macedo, garantiu que há policiamento. "Fazemos a patrulha até o fechamento das escolas. Agora, não tem como deixar uma equipe na porta de cada colégio às duas da madrugada". Vasconcellos foi enterrado na tarde de ontem, no Cemitério Corte 8.

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