Divulgação/Marcia Friggi/Facebook
Divulgação/Marcia Friggi/Facebook

Professora denuncia agressão física por aluno de 15 anos em SC

Profissional relatou que foi alvo de socos de aluno após encaminhá-lo à direção da escola por agressão verbal

Bibiana Borba, O Estado de S.Paulo

22 Agosto 2017 | 05h03
Atualizado 23 Agosto 2017 | 18h49

A professora Marcia Friggi usou o Facebook para denunciar ter sido agredida com socos por um aluno de 15 anos na escola onde leciona no município de Indaial, em Santa Catarina, nesta segunda-feira, 21. Conforme o relato, a educadora pediu que o adolescente colocasse o livro utilizado na aula sobre a mesa. Com a negativa do rapaz e uma agressão verbal como resposta, Marcia pediu que ele se retirasse da sala. A agressão física teria ocorrido minutos depois, quando os dois foram até a sala da direção.

Segundo a professora, o estudante negou tê-la ofendido e, ao ser interpelado, começou a agredi-la com fortes socos. Marcia publicou fotos que mostram um corte aberto em uma das sobrancelhas, um olho inchado por um hematoma e sangramento no nariz.

Na publicação, a profissional também desabafa sobre agressões verbais anteriores e reclama do desamparo dos governos em relação à profissão. "Estou dilacerada por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacerada por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem. Porque me sinto em desamparo, como estão desamparados todos os professores brasileiros. Estamos, há anos, sendo colocados em condição de desamparo pelos governos", afirmou.

A delegacia de Polícia Civil de Indaial confirmou que a professora registrou o boletim de ocorrência no final da manhã e foi encaminhada para realização de exame de corpo de delito. "Sala lotada. A imensa maioria era de mulheres acompanhadas de outras mulheres (...) Cobertas por lenços e enormes óculos escuros, como eu. silenciosas, caladas, cabeça baixa", relatou mais tarde, também no Facebook, sobre o exame.

Após o resultado do corpo de delito, o adolescente deve ser intimado a prestar depoimento e será investigado por ato infracional, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Até o horário desta publicação, a reportagem não localizou representantes da escola para comentar o caso. A professora relata que a agressão ocorreu no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), administrado pela rede pública municipal de educação.

Repúdio. Cerca de 20 professores das redes estadual e municipal de Indaial e representantes do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Sinserpi) organizaram na tarde desta terça-feira, 22, um protesto contra as agressões sofridas por Márcia Frigg. Eles se reuniram na frente da prefeitura da cidade com cartazes com os dizeres “Professor: profissão perigo” e “Estamos todos dilacerados”.

A presidente do Sinserpi, Izabel Mengarda, diz que a solidariedade e a perplexidade tomaram conta das escolas da cidade e da região. “Foi quase a pauta única dos profissionais da educação. A violência no espaço escolar tem se tornado cada vez mais uma cena do cotidiano”, diz.

Segundo ela, nem sempre a violência se expressa em agressões físicas e ganha essa visibilidade. “O Sinserpi espera que o caso possa ser o estopim de uma mudança profunda. É urgente que a função da escola seja debatida e que se priorize buscar soluções para a violência em toda a sociedade”.

Nas redes sociais de Márcia, os usuários deixaram mensagens de ataques e de solidariedade. Em sua postagem original, compartilhada mais de 370 mil vezes e com mais de 685 mil compartilhamentos no Facebook, alguns criticavam o fato de a professora ter elogiado a jovem que jogou um ovo contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) na última semana.

Outros, por outro lado, diziam que a agressão foi “desumana”, “vergonhosa” e “lamentável”. Em resposta, a professora disse estar grata pelo carinho e apoio, acrescentando que não vai se calar diante das ofensas. “O ódio não irá me calar. Estou cada vez mais convicta de que sempre lutei e continuarei lutando por um mundo melhor, livre do ódio, do racismo, do preconceito, do machismo, da misoginia, da homofobia, do fascismo”.

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação de Indaial disse que esta é "a primeira agressão física de aluno para professor na rede pública municipal de ensino que a Secretaria de Educação tem conhecimento." 

A pasta disse, ainda, que o caso foi encaminhado para a Promotoria da Justiça da Infância e da Adolescência. "Em conjunto entre Secretaria de Educação e Promotoria será avaliado como deve ser o procedimento com relação ao aluno."

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