Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Professores decidem manter greve e fazem protesto no Rio

Categoria, que está paralisada desde o dia 12; reivindica 20% de reajuste salarial e melhorias das condições de trabalho

Roberta Pennafort, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 18h30

RIO - Cerca de mil professores das redes estadual e municipal de ensino do Rio fazem um protesto na noite desta quinta-feira, 22, no bairro de Laranjeiras, na zona sul do Rio, onde fica o Palácio Guanabara, sede do governo estadual.

Durante uma assembleia que começou ao meio-dia e durou três horas, realizada no Clube Hebraica, no mesmo bairro, os professores decidiram manter a greve iniciada no último dia 12. Em seguida o grupo iniciou passeata pelas ruas das Laranjeiras e Pinheiro Machado. Nesse via, uma das principais ligações entre as zonas norte e sul, onde fica o Palácio Guanabara, retiveram o trânsito por mais de duas horas.

Às 19 horas a manifestação perdurava: os professores caminhavam pela rua Muniz Barreto, no vizinho bairro de Botafogo, seguindo rumo ao Palácio da Cidade, sede do governo municipal.

No início da passeata os professores pretendiam chegar à frente do Palácio Guanabara, mas uma barreira com mais de 60 policiais militares, com escudos, impediu a aproximação. Os manifestantes então se concentraram na rua Moura Brasil, e dezenas de carros que seguiam pela Pinheiro Machado e por uma das pistas do túnel Santa Bárbara tiveram que voltar de marcha-a-ré. Só por volta das 18h45 a passagem foi liberada e os professores puderam passar pela frente do Palácio Guanabara, sem que houvesse tumulto. Antes, uma repórter da TV Globo foi hostilizada pelos professores. Xingada, acabou expulsa da manifestação.

A assembleia e o ato foram apoiados por estudantes e pais de alunos. O técnico em informática Mauro Nunes, que tem dois filhos em escolas estadual e municipal, diz que participa de todos os protestos. "A educação está um caos. As escolas servem na merenda macarrão com chuchu sem tempero. Um professor não pode trabalhar direito com mais de 40 alunos na sala", afirmou.

A categoria reivindica 20% de reajuste salarial e melhorias das condições de trabalho, como a possibilidade de dedicar um terço da carga horária ao planejamento das aulas, equiparação salarial entre professores de diferentes séries e a redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais.

Aumento. No ano passado, após uma greve de mais de dois meses, os professores obtiveram aumento de 8% na rede estadual e de 15% na municipal. "Essa não é uma continuação da greve de 2013. Estamos em nova campanha salarial. O governo diz que não tem a mesma força, mas na rede estadual 30% já pararam e no município, 55%. Estamos crescendo", disse Márcia Moraes, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ).

Segundo a Secretaria Estadual da Educação, apenas 246 dos 75 mil profissionais estão sem trabalhar. A pasta afirma que as negociações estão em andamento classificou a greve como "inoportuna".

A Secretaria Municipal de Educação informou que todas as escolas funcionaram normalmente e que 67 professores faltaram. A rede tem 42 mil profissionais. Segundo a pasta, uma nova reunião com representantes da categoria estão marcada para o dia 28.

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