CELSO JUNIOR/AE - 6/10/2010
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Professores do DF denunciam pressão

Secretário de Educação é acusado de obrigar diretores de ensino a fazer campanha para candidata Weslian Roriz (PSC); 14 pediram demissão

Carol Pires / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2010 | 00h00

Em rebelião contra uma suposta ordem que exige a transformação de diretores de escolas em cabos eleitorais da candidata ao governo do Distrito Federal Weslian Roriz (PSC), 14 diretores das regionais de ensino do DF já pediram demissão - 8 na sexta-feira (dia 1º), 2 na segunda e 4 ontem.

O motivo foi uma mensagem do secretário de Educação, Sinval Lucas, que teria coagido professores da rede pública de ensino a fazerem campanha em horário de trabalho, segundo denúncia do ex-diretor da Regional de Ensino do Plano Piloto Fábio Pereira.

Weslian Roriz assumiu a candidatura ao governo do DF no lugar no marido, o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), barrado pela Lei da Ficha Limpa. O governador Rogério Rosso (PMDB) - que se mantinha isento desde o início da campanha - anunciou apoio à candidatura do PSC quando Weslian se tornou cabeça de chapa, na semana anterior à da eleição. Sinval Lucas, por sua vez, foi nomeado secretário de Educação há 10 dias.

Segundo Fábio Pereira, em reunião com os 14 diretores das regionais, na última terça-feira, o secretário Sinval Lucas ordenou que todos trabalhassem apenas meio período para dedicar a outra metade do tempo fazendo campanha para Weslian. Sinval teria pedido ainda que os diretores demitissem os servidores comissionados que fossem identificados como apoiadores do PT.

"Nós já temos carências de pessoal, como podemos aceitar impassíveis esse tipo de ordem?", questiona Fábio. "Para não tomar uma atitude tão sem ética, preferi me demitir", afirmou. O ex-diretor apresentou sua carta de exoneração ontem, quando também apresentou queixa-crime ao Ministério Público do DF por assédio moral.

Ainda de acordo com Pereira, Sinval Lucas disse "com todas as letras" que os diretores deveriam trabalhar para a candidatura de Weslian. "Ele disse que depois, então, telefonaria para definir o papel de cada um na campanha", afirma o professor, servidora da fundação educacional há 13 anos. "Ele disse que o atual governo estava alinhado com a candidata Weslian Roriz, e seria para nós trabalharmos para ela", confirma o professor Raniere Carneiro Falcão, ex-diretor da regional de Sobradinho, há 14 anos na fundação educacional.

A reunião ocorreu no gabinete do secretário na tarde de terça-feira - dois dias após a eleição, quando Weslian confirmou sua ida para o segundo turno da disputa pelo governo do DF, contra Agnelo Queiroz (PT).

Em entrevista coletiva, no início da tarde, Sinval Lucas negou as acusações. Para eles, os diretores pediram exoneração por "fidelidade" ao ex-secretário de Educação. "Eu não disse em momento algum que quem não apoiasse candidato A ou B perderia o cargo", disse. "Foi uma atitude louvável deles, eles quiseram demonstrar fidelidade ao colega que havia pedido para deixar o cargo", completou.

Segundo o secretário, em nenhum momento da conversa com os diretores ele pediu apoio à campanha de Weslian, mas, questionado se havia admitido ser partidário da família Roriz, Sinval Lucas disse "não se lembrar". "Eu disse que nós, independentemente de posição político-partidária, teríamos de trabalhar para desenvolver de acordo com as linhas de políticas pública desenvolvida pelo Estado."

A assessoria de imprensa do governador informou que ele não pretende demitir o secretário Sinval Lucas, nem pedirá investigação das denúncias.

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