Orlando Kissner
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Professores do PR recolhem provas de violência da PM

Objetivo é incluir material em inquérito que apura abusos em ação na quarta-feira; Centro Cívico voltou a concentrar protestos

Julio Cesar Lima, ESPECIAL PARA O ESTADO

01 Maio 2015 | 20h43

CURITIBA - Os servidores paranaenses envolvidos no confronto de quarta-feira com a Polícia Militar, no Centro Cívico de Curitiba, recolheram pedaços de bombas para levar ao Ministério Público Estadual, que investiga abusos na ação repressiva. Nesta sexta-feira, 1, as manifestações do Dia do Trabalho na capital foram marcadas por atos de repúdio à intervenção policial.

A professora Vera Marcia Mortean, de 53 anos, foi uma das que guardaram restos do arsenal usado pela polícia na repressão da manifestação, que acabou com 234 feridos.

O governo do Estado afirma que a ação foi necessária para impedir a invasão da Assembleia Legislativa, que votava mudanças na previdência estadual, e só aconteceu após provocação de black blocs infiltrados. “Foi a PM sendo usada como aparato ideológico para impedir uma manifestação livre, foi um exercício de atitude antidemocrática”, rebate Vera.


O Ministério Público deverá ouvir, nos próximos 30 dias, todas as pessoas que queiram relatar o que aconteceu durante o confronto. O objetivo é apurar as responsabilidades. O promotor Eliezer Gomes vê “indícios de excessos”. 

Vera conta que recolheu as peças na madrugada de quinta-feira, horas depois dos confrontos. “Fiz também a pedido de uma professora amiga que foi atingida pela polícia e precisou ser atendida pelos médicos”, contou. Ela ainda entregou um vídeo que mostra uma ação policial na madrugada do dia 28. 

A professora, que leciona há 28 anos, afirmou que a ação policial já era observada desde o primeiro dia de manifestação. “Policiais à paisana monitoravam toda a área e, em um determinado momento, avançaram para onde estávamos acampados e iam arrastando (segurando por braços e pernas) as pessoas que se colocaram, deitadas, na frente do carro de som que era usado pelo movimento para informar o que acontecia dentro da Assembleia”, disse.

Protestos. Nesta sexta, manifestantes de diversos segmentos caminharam da área central da capital até o Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, local do confronto. Os organizadores estimavam em dez mil pessoas mobilizadas, enquanto a Guarda Municipal indicava cinco mil no ato. Não houve registro de violência.

Os manifestantes jogaram tinta vermelha na fonte que fica na frente do Palácio Iguaçu, do governo do Estado, arriaram as bandeiras do Brasil e do Paraná, e colocaram faixas pretas nas principais estátuas do percurso, incluindo as de Nossa Senhora da Salete, que fica na frente da Assembleia Legislativa. O Batalhão de Choque segue posicionado ao redor do palácio.

Grupos ainda desfilaram com cruzes e cartazes que estampavam os rostos dos deputados estaduais que aprovaram o projeto que muda a previdência e divide contribuições entre governo e trabalhadores.

MST. No interior, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Teto (MST) fez bloqueios em apoio aos professores. Foram fechadas as praças de pedágio de Floresta (PR-317) e Sertaneja (PR-323) e as rodovias federais em Cascavel, Prudentópolis, Candói, São Miguel do Iguaçu e Céu Azul.

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