Professores em greve fazem novo protesto no Rio

Os professores estaduais completaram 60 dias de greve hoje e marcaram a data com protestos. Pela manhã, eles fizeram um café simbólico em frente à casa oficial da governadora Benedita da Silva (PT), e à tarde um grupo invadiu o Palácio Guanabara, sede do governo. O Batalhão de Choque da Polícia Militar chegou a ser chamado para conter o grupo, mas deixou o local sob vaias e depois do protesto do deputado estadual Chico Alencar (PT). "Isso não é coisa do PT. Não é coisa que o PT faça", discursou em cima de um carro de som.Os professores querem que o governo cumpra uma decisão judicial que obriga o pagamento dos funcionários com base num plano de cargos e salários. Em alguns níveis da carreira, isso pode representar um aumento salarial de até 103%. O governo alega que não tem dinheiro em caixa para pagar o reajuste de uma só vez e publicou um decreto parcelando o aumento em quatro, nove e treze meses, de acordo com a faixa salarial.Os professores, que haviam proposto o pagamento do reajuste integral em quatro meses, reagiram indignados. "Não esperávamos esse autoritarismo de um governo petista. O Anthony Garotinho tinha como prioridades demagógicas, como o piscinão e o cheque-cidadão. Benedita ainda não disse quais são as prioridades dela. Achávamos que a educação seria uma delas", afirmou a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), Soneli Antunes.A categoria seguiu até o Palácio Guanabara na esperança de ser atendida pela governadora. Para eles, o diálogo com o secretário de Educação ficou impossível depois que ele defendeu, num telejornal, a ocupação das escolas pelos pais de alunos, como forma de pressionar os professores. "Cada fala desse secretário dificulta as coisas. Agora a decisão é política. É só Benedita querer", afirmou Soneli.A governadora Benedita da Silva disse que não vai rever o decreto, porque é a única forma encontrada pelo governo para cumprir a decisão judicial. "Não temos condição de negociar ou renegociar absolutamente nada. Não podemos inventar recursos. Eu continuo o diálogo com os professores, fazendo um apelo para que voltem às aulas porque nossas crianças estão altamente prejudicadas." Ela afirmou que não receberia os grevistas, pois já nomeou uma comissão formada por secretários de Estado para isso. "Eu não tenho que negociar. A comissão é composta pelos secretários responsáveis. Não posso desautorizar meus secretários", disse. A governadora explicou ainda que o Batalhão de Choque da PM foi chamado para proteger a todos, "tanto grevistas como servidores que trabalham no local". Durante o protesto, 100 professores conseguiram chegar à portaria do Palácio Guanabara. Eles não foram retirados à força, mas não receberam autorização para usar banheiros do palácio ou bebedouros. Do lado de fora dos portões, 300 manifestantes gritavam: "Liberem o banheiro! Liberem o banheiro!". O comandante-geral da PM, coronel Francisco Braz, disse que as portas do palácio "sempre estarão abertas para a saída dos professores".No fim da tarde, o Ministério Público Estadual divulgou que pretende entrar com uma ação cautelar contra o Estado caso os professores em greve não voltem ao trabalho até o dia 10 de maio. O governo terá até sexta-feira para apresentar uma solução alternativa, caso os professores decidam continuar a paralisação.

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