Programa assentará famílias urbanas no campo em SP

O Ministério do Desenvolvimento Agrário vai financiar a remigração de 2,6 mil famílias urbanas para a zona rural este ano, em São Paulo. As famílias, com cinco anos de residência no município e conhecimento de práticas agrícolas, serão organizadas em associações de produtores. Além de cultivar a terra e criar animais, elas processarão alimentos em agroindústrias e cuidarão da comercialização. O programa, lançado hoje pelo ministro Raul Jungmann em Cesário Lange, na região de Sorocaba, será desenvolvido em parceria com a Força Sindical. A entidade, que reúne 14 milhões de trabalhadores, ajudará a cadastrar os interessados e absorverá parte da produção. "Os empregos na indústria estão diminuindo e será uma opção para a mão de obra que vai ficando ociosa", afirmou o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva.A parceria é inédita. "É uma central sindical urbana trabalhando em parceria com produtores rurais", afirmou Jungmann. Serão atendidas de imediato as 80 familias de Cesário Lange já cadastradas pela Associação dos Municípios para o Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Amdafap). O Banco da Terra dispõe de R$ 100 milhões para financiar a compra das terras em 20 anos, com três de carência e juros de 3% ao ano. Cada família pode pleitear até R$ 30 mil. O trabalhador rural Elias Miranda, de 45 anos, é um dos cadastrados. "Nasci na lavoura, mas sempre fui empregado", disse. Ele mora com a mulher e dois filhos no bairro Vila Nova, periferia da cidade, e quer ter um pequeno sítio de 6 hectares para criar vacas de leite. A associação, primeira a ser criada no País, cadastrou outros 150 pequenos agricultores que já possuem terra. Eles receberão financiamentos do Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf). A Amdafap conseguiu a adesão de 49 municípios. Segundo o prefeito de Cesário Lange, Élbio Trevisan (PSDB), que preside a entidade, até o fim do ano outras 50 cidades vão aderir. As prefeituras farão, em conjunto com sindicatos ligados à Força, o cadastramento da clientela. Em cada município deverá ser instalada uma agrovila e funcionar uma pequena indústria ou laticínio. Trabalhadores inscritos no Movimento dos Sem-Terra (MST) não estão sendo aceitos no programa. O ministro Jungmann garantiu que não há discriminação. "Cada movimento social tem o grupo que defende e procura promover sua clientela." Segundo ele, o MST também não aceita integrantes da Força Sindical. "Não conheço ninguém no Brasil que seja ligado a um movimento e obtenha benefícios de outro." Jungmann garantiu que o programa não pretende esvaziar o MST. "Nossa relação com o movimento hoje, se não é ótima, está bem mais tranqüila." O ministro disse que o papel da Força, central sindical mais próxima do governo, será organizar as clientelas urbanas que desejam ter acesso à terra para produzir. "Muitos dos trabalhadores de indústrias estavam, antes, no campo." Jungmann lembrou que 81,2% da população brasileira está na cidade. No campo, são 14,8 milhões de agricultores, dos quais apenas 800 mil têm acesso a créditos.

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