Programa de Alckmin propõe ajuste fiscal maior do que o de Nakano

A polêmica criada pelas declarações do professor Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas, um dos principais integrantes da equipe de Política Econômica do candidato Geraldo Alckmin, deve esquentar. Questionado nesta quarta-feira sobre a sua proposta para o ajuste fiscal, Alckmin desconversou. O fato é que a meta de corte de gastos sugerida pelo tucano em seu programa de governo é de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB), ainda maior que a meta de 3,4% defendida ontem por Nakano. "Nós vamos fazer o ajuste fiscal, que, aliás, é o que aprendemos a fazer com Mário Covas, que fez um grande ajuste fiscal aqui no governo de São Paulo", afirmou.Alckmin defendeu a redução do déficit nominal do País, um crescimento maior, taxas de juros menores e câmbio flutuante administrado pelo governo. "É preciso, não na base das canetadas, articular uma política fiscal, monetária e cambial, para que o País possa ter mais competitividade", disse. Alckmin participou hoje de caminhada no bairro de Tiradentes, na capital paulista.Após as declarações de Nakano, na terça-feira, o governo reagiu. Integrantes da equipe econômica questionaram a proposta, diante da falta de objetividade em dizer de onde sairiam estes cortes. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que é impossível ao futuro presidente cortar 3% do PIB, em torno de R$ 60 bilhões, sem cortar os programas sociais e os benefícios pagos pela Previdência. "Quero saber quais ovos serão quebrados. É impossível cortar 3% do PIB sem acabar com programas sociais." "Quem estiver dizendo que vai cortar despesas e reduzir a carga tributária no curto prazo, com certeza não sabe o que fala", disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Ele defendeu, portanto, o ajuste fiscal, mas de forma gradual. Ele propôs um ajuste nas contas públicas no início de 2007, e uma redução da alíquota da CPMF de 0,38% para 0,08%, "num prazo de 10 a 15 anos". O tributo passaria a ser permanente e teria um caráter fiscalizador. A alíquota ficaria em 0,08% porque esse é o porcentual da CPMF destinado ao Fundo de Erradicação e Combate à Pobreza.O "gradualismo´"consistiria, segundo explicações do ministro, na execução de um programa fiscal de longo prazo que permitisse a redução das despesas correntes como proporção do PIB. Ao longo de vários anos o governo poderia abrir espaço no orçamento para investimentos públicos em infra-estrutura e reduzir os tributos. Bernardo evitou falar em corte de despesas, mesmo quando defendeu a proposta do governo de limitação dos gastos com salários de funcionários. Idéias de NakanoNakano defende a idéia de que "a política monetária deve ser usada para equilibrar a conta de capitais". A política monetária é a ferramenta usada pelo Banco Central (BC) para controlar a inflação. Se os preços sobem, o BC eleva as taxas, a fim de conter o consumo (reduz o dinheiro em circulação) e inibir a inflação. Se os preços caem, o juro pode ser cortado.Nakano acredita que o BC precisa derrubar os juros internos para controlar a entrada de dólares. Essa decisão implica, em princípio, mudança radical na política de metas de inflação. Ou seja, a política monetária seria manejada para obter outra meta, o equilíbrio da conta de capitais.Para conter a inflação, Nakano defende o controle de gastos do governo, a fim de que sobrem recursos para pagamento de parcelas maiores da dívida, o orçamento se reequilibre e, desta forma, os juros não precisariam subir. Ontem, após as declarações de Nakano, Alckmin disse: "Pelo meu governo só falo eu".

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