Programa de casa popular prioriza mulheres no RS

A prioridade que a Prefeitura de São Gabriel (RS) dá às mães solteiras, abandonadas ou violentadas quando entrega novas casas está tornando o loteamento Nosso Sonho um reduto feminino. Das 300 moradias construídas no local, encravado no bairro Élbio Vieira Vargas, no município da Fronteira Oeste, 187 foram repassadas a mulheres, que pagam prestações de R$ 20 durante dez anos e não podem vender, alugar ou emprestar as casas. Estabelecida em lei aprovada em maio do ano passado, a distribuição de pelo menos 50% das casas construídas nos programas de habitação popular às mulheres já revelou algumas vantagens. A secretária municipal da Habitação, Adriane Langmantel Gonçalves, observa que as mulheres que conquistaram moradia passaram a procurar menos a assistência social e deixaram de ser vítimas de agressão. O prefeito Rossano Dotto Gonçalves (PDT) diz que, com suas casas, as mulheres readquirem a auto-estima, passam a se sentir seguras para viver com os filhos e não voltam para maridos violentos, atitude que tomavam por necessidade material. Nada impede que a mulher, de posse da casa, reate relações com antigos parceiros. ?Isso é uma opção dela?, ressalta Adriane. Mas a legislação municipal impede que a propriedade do imóvel seja transferida. Mesmo sem ter feito um levantamento formal, Adriane acredita que as mulheres, quando transformadas em provedoras do lar, tendem a manter suas casas como garantia de segurança familiar. Isso reduz o comércio ilegal, em que os ocupantes vendem suas casas a preços irrisórios, que variam de R$ 3 mil a R$ 4 mil na região, com a ilusão de que essas quantias são suficientes para iniciar uma nova vida.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.