Programa de Marina prevê desmatamento zero

Na área de economia, as propostas da candidata Marina Silva, do PV, não diferem substancialmente da política do atual governo, nem dos projetos de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Há um ponto, porém, em que a senadora se distancia e assume um tom mais duro. É quando trata do desmatamento.

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

Marina quer orientar o agronegócio para o desmatamento zero em todos os biomas. Isso significa que, além da floresta amazônica, defendida de maneira quase unânime, ela quer que o Brasil pare de derrubar árvores também no cerrado, onde a fronteira agrícola se expande velozmente.

Um documento esclarece que esse não é um objetivo imediato, mas orientação estratégica, a longo prazo. Ao mesmo tempo, porém, evidencia a aversão da candidatura à ideia de que o aumento da produção agrícola deve se dar sempre com a ampliação da fronteira agrícola. A produção deve aumentar, segundo as diretrizes de Marina, com "ganho de produtividade", explorando melhor o que já foi desmatado.

"Queremos que o Brasil seja um grande provedor de alimentos e de combustíveis de nova geração, sem que se derrube uma árvore, preservando aquilo que será mais e mais valorizado no século 21, que são os serviços ambientais, as condições climáticas, que garantem a própria capacidade de produção", explica o candidato a vice na chapa verde, o empresário Guilherme Leal.

"Não somos contra o desenvolvimento", insiste. "Mas não podemos ignorar que temos 200 milhões de hectares utilizados por uma pecuária com produtividade média muito baixa, de uma cabeça por hectare."

Polêmica. As diretrizes também adentram um terreno polêmico, ao propor como orientação estratégica para o País a "redução do uso de agroquímicos e uma transição para o modelo da agroecologia". Para a senadora e produtora rural Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), isso é impossível.

"Ao pé da letra, seria fazer a agricultura retroceder à tecnologia de quarenta anos atrás", diz ela . "Pode agradar a elite privilegiada, com condições de pagar R$ 30 pelo quilo de carne de frango caipira, criado solto no quintal, mas não ajuda o consumidor comum, que paga R$ 4 pelo frango criado em granja."

A senadora diz defender há muito tempo o desmatamento zero para a região da floresta amazônica, mas não acha que isso se aplica ao cerrado.

Dilma, nas suas diretrizes, trata a questão de modo detalhado. Promete intensificar o combate ao desmatamento e promover o uso de energias limpas. Mas não fala em desmatamento zero. Serra ainda não apresentou suas diretrizes, mas, em recente evento na CNA não falou em desmatamento zero e disse que ambientalistas e ruralistas podem chegar a um consenso.

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