Programa é acusado de leiloar joias roubadas

Parente de vítima reconheceu as peças na TV; polícia investiga

José Dacauaziliquá, O Estadao de S.Paulo

22 de junho de 2009 | 00h00

A Polícia Civil investiga se parte das joias roubadas em condomínios e mansões, normalmente em arrastões, vai parar nos leilões realizados na TV. A suspeita surgiu após a denúncia de uma vítima. Criminosos invadiram seu apartamento no Itaim-Bibi, zona sul de São Paulo, no réveillon. Duas semanas depois, um parente viu peças de sua coleção à venda no programa Mil e Uma Noites, que é gravado em Curitiba e exibido pelo canal CNT. A vítima procurou a polícia e foi orientada a recomprá-las. No momento da entrega, um funcionário foi detido e os responsáveis pelo programa, que negam irregularidade, tiveram de comparecer ao Distrito Policial.   Veja também: 'O lote foi adquirido de boa-fé' CEF não leiloava ilegais há 3 anos   O episódio deu origem a uma complexa investigação, que consta no inquérito policial instaurado no 15º Distrito Policial (Itaim-Bibi), para apurar o furto e possíveis crimes contra a ordem tributária e de receptação de produto roubado.A vítima, que não quer ser identificada, disse à polícia que algumas das peças levadas pelos bandidos eram exclusivas, feitas por encomenda. O diretor do Mil e Uma Noites, Paulo Calluf, se defende, dizendo que as peças que a mulher reconheceu são joias fabricadas em série e que existem centenas idênticas. "Estamos há 15 anos produzindo programas de televendas. Nossa empresa é idônea", assegura.O advogado de Calluf, Figueiredo Basto, afirma que 14 joias foram recompradas pela vítima, que já foi ressarcida, e que outras 2 foram localizadas e deverão ser entregues logo.De acordo com Basto, as joias comercializadas pelo Mil e Uma Noites são adquiridas em leilões da Caixa Econômica Federal (CEF) e de fornecedores particulares. Ele argumenta que seu cliente "também é vítima, por ter adquirido um lote de joias com peças de origem ilícita."VIAGEM INTERROMPIDAO crime ocorreu entre os dias 30 de dezembro de 2008 e 2 de janeiro deste ano. A família estava viajando quando foi surpreendida pela ligação do porteiro do prédio, que contou que a porta de serviço do apartamento fora arrombada. Ao voltar, a vítima constatou que sua coleção de joias era o alvo dos bandidos. Eles também levaram relógios, laptops e celulares.Com a orientação da polícia, a vítima então fez a "recompra", fornecendo um outro endereço para a entrega das mercadorias. Lá, os policiais detiveram o entregador e foram cobrar explicações dos responsáveis pelo programa, que prometeram entregar à polícia os comprovantes de que os produtos tinham uma origem legal. Os documentos estão sendo analisados.APREENSÃOA Justiça concedeu um mandado de busca e apreensão para ser cumprido no escritório do Mil e Uma Noites em São Paulo. Lá foram apreendidas caixas e sacolinhas com anéis, pulseiras, colares e relógios.Desse montante de joias, a vítima reconheceu apenas um anel. As joias foram encaminhadas ao Instituto de Criminalística (IC), para passar pela perícia. A polícia não quis fornecer mais detalhes sobre a investigação.

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