Programa eleitoral de Alckmin focará qualidades do candidato

O programa de propaganda eleitoral do tucano Geraldo Alckmin na TV vai focar as qualidades do candidato ao Planalto e lembrar suas realizações à frente de cargos públicos, sobretudo no governo paulista. Pelo menos nessa etapa inicial, não haverá ataques ao candidato do PT, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição."É uma estratégia positiva e correta", concordou o coordenador-executivo da campanha, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), que na quinta-feira passada se reuniu, em São Paulo, com o coordenador de comunicação de Alckmin, jornalista Luiz Gonzalez, responsável pelo programa de TV. O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), participou também do encontro. Os dois avalizaram o tom e o conteúdo do programa que irá ao ar amanhã. A reunião com Gonzalez serviu também para acertar um maior entrosamento do grupo de marketing com o núcleo político da campanha e com os responsáveis pela agenda do candidato. A partir de agora, o coordenador de comunicação terá ainda mais espaço na campanha: passará a integrar o Conselho Político, formado por dirigentes do PSDB, PFL e PPS, Alckmin e seu companheiro de chapa, senador José Jorge (PFL-PE). O deputado Moreira Franco (PMDB-RJ) também foi incorporado, como representante do PMDB.Na semana passada, tanto Tasso quanto Sergio Guerra haviam se queixado diretamente ao candidato da falta de proximidade do núcleo político com a equipe de marketing. Por isso, os dois senadores consideraram positiva a conversa com Gonzalez para tomarem conhecimento do tom da propaganda eleitoral. "Todo político gosta de dar palpite nessa área", comentou um dos coordenadores da campanha. Na verdade, parlamentares do PSDB e do PFL não conseguem influir nas decisões políticas e alegam que Alckmin teria, inclusive, uma relação de dependência com Gonzalez. Na conversa com Tasso e Sergio Guerra, Luiz Gonzalez se mostrou aberto ao diálogo e afirmou que nunca havia se recusado a participar de reuniões. Agora, convidado, estará no Conselho Político e, além disso, vai interferir também na definição da agenda de Alckmin, com o objetivo de conciliar os compromissos do candidato com a produção de imagens e cenas para a propaganda eleitoral."A agenda vai estar mais colada ao programa de TV", comentou Sergio Guerra. O candidato da coligação PSDB/PFL terá 10 minutos e 22 segundos em cada bloco de propaganda, mais tempo que Lula. Serão dois blocos, de 25 minutos cada um, transmitidos às terças, quintas e sábados. A idéia é reservar a surpresa e o impacto para o programa noturno. O novo jingle não será exibido às 13 horas, só no bloco da noite. Na avaliação de aliados do PSDB, a estratégia de bater em Lula nunca foi cogitada nem mesmo por Alckmin, apesar de defendida por setores do PFL. Segundo assessores da campanha, como Alckmin é pouco conhecido os eleitores precisam de mais informações sobre o candidato nesse primeiro momento. E o candidato só tem mais autoridade para lançar suas propostas e promessas ao longo da campanha à medida em que fez realizações ao longo de sua vida pública. "É unânime que temos de desconstruir Lula", afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), deixando claro, porém, que isso não significa ataques e agressões.

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