Programa fala de luta, sem citar guerrilha

O PT se antecipou a ataques da oposição e abordou no programa partidário o tema tabu até então evitado pelo partido: a participação de Dilma Rousseff na luta armada contra a ditadura.

Malu Delgado e Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2010 | 00h00

Num tom passional e quase apelativo, o presidente Lula recorre ao exemplo de Nelson Mandela para justificar a atuação de Dilma. "Uma parte da história da Dilma me lembra muito a do Mandela. Uma vez o Mandela me disse que só foi para o confronto porque não deram outra saída para ele. O tempo passou e o que aconteceu? Ele virou um dos maiores símbolos da paz e da união no mundo."

A voz do narrador - "Como milhares de jovens, ela não viu outra saída"; "Dilma foi presa e foi torturada pela ditadura" - introduz a fala da pré-candidata do PT à Presidência sobre o tema. "Vivíamos nas trevas. Tudo, mas tudo mesmo era proibido. Não se respeitava a liberdade de imprensa, opinião. Eu lutei sim. Pela liberdade, pela democracia. Lutei contra a ditadura, do primeiro ao último dia."

Sem especificar a atuação de Dilma na Organização Revolucionária Marxista Política Operária (Polop) e no Comando de Libertação Nacional (Colina), o narrador do programa informa que muitos, na época, foram presos, ou obrigados a se exilar, ou morreram. "Quando o Brasil mudou, eu mudei. Mas nunca mudei de lado", disse Dilma.

Parte da oposição crê que a associação de Dilma à luta armada e o fato de ter sido presa podem pesar negativamente contra a petista. A possibilidade de isso virar um tema de campanha preocupa o PT, tanto que o partido usou o programa como "vacina". O programa termina afirmando que as trajetórias da petista e de Lula "se aproximaram até formar a parceria que transformou o Brasil".

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