WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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População brasileira encolherá até 2100, apontam Nações Unidas

País cairá de 5º maior do mundo para 13º; já o planeta passará dos atuais aproximadamente 7,3 bilhões de pessoas para 11,2 bilhões

Jamil Chade - Correspondente - e Camila Santos - Especial para o Estado

29 de julho de 2015 | 13h30

GENEBRA E SÃO PAULO - O Brasil terá uma população em 2100 inferior à que registra hoje. Dados divulgados nesta quarta-feira, 29, pela Organização das Nações Unidas (ONU) revelam, pela primeira vez em cinco anos, novas estimativas para a população mundial durante o século 21. Se a previsão é de que o mundo passe dos atuais 7,3 bilhões de pessoas para 11,2 bilhões em 85 anos, o Brasil passará de 207 milhões registrados em 2015 para 200 milhões em 2100.

Da quinta maior população do mundo atualmente, o Brasil cairá para o 13º lugar no ranking em 2100, superado por Egito, Uganda, Etiópia. A sociedade brasileira também é apontada pela ONU como uma das grandes populações do mundo com baixas taxas de fertilidade nos próximos anos.

 

O encolhimento do País, porém, não ocorrerá imediatamente. Segundo as projeções, a população brasileira continuará a aumentar na primeira metade do século e, em 35 anos, atingirá seu ápice com 238 milhões de pessoas em 2047.

A partir de 2050, porém, o país começará a encolher diante de taxas de natalidade mais baixas e seguindo o padrão que já ocorre nos países ricos.

Assim, no ano de 2100, o Brasil somará 200 milhões de pessoas.

O Brasil não será o único a registrar tal comportamento. Na Colômbia, o país passará dos atuais 48 milhões de habitantes para 45 milhões em 2100. Os países ricos também mostrarão uma forte estabilidade.

População mundial. No resto do mundo, porém, a projeção é de que a expansão demográfica será ainda maior do que se imaginava em 2010. Naquele momento, a estimativa era de que o planeta chegaria em 2050 com 9,6 bilhões de pessoas. Agora, a previsão é de 9,7 bilhões, 100 milhões a mais. Para 2100, o dado aponta para 11,2 bilhões.

Projeção estima que a população mundial alcançará 9,7 bilhões de pessoas até 2050, com maior crescimento nas regiões em desenvolvimento, especialmente na África, afirmam as Nações Unidas

Espera-se que a Índia se torne o país com a maior população, ultrapassando a China por volta de 2022, enquanto a Nigéria poderá ultrapassar os Estados Unidos até 2050.

"Compreender as mudanças demográficas que podem se desdobrar nos próximos anos, bem como os desafios e oportunidades que elas representam para que se alcance o desenvolvimento sustentável, é a chave para a elaboração e implementação de uma nova agenda de desenvolvimento",  afirma o subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, Wu Hongbo.

De acordo com o relatório, intitulado Panorama da População mundial: a revisão de 2015, parte significativa do crescimento da população mundial pode ser atribuída a uma pequena lista de países com alta fertilidade, principalmente na África, e a países que já possuem um número populacional elevado.

Entre 2015 e 2050, a expectativa é de que metade do crescimento da população mundial esteja concentrado em nove países: Índia, Nigéria, Paquistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Tanzânia, Estados Unidos, Indonésia e Uganda. Esse locais foram listados de acordo com a sua contribuição para o crescimento total.

Mudanças nos rankings populacionais. China e Índia são os dois maiores países do mundo, cada um com mais de 1 bilhão de pessoas, o que representa 19 e 18% da população mundial, respectivamente. Mas, até 2022, a população indiana deverá ultrapassar a chinesa.

Atualmente, entre os dez maiores países do mundo, um está na África (Nigéria), cinco estão na Ásia (Bangladesh, China, Índia, Indonésia e Paquistão), dois estão na América Latina (Brasil e México), um está na América do Norte (Estados Unidos) e um está na  Europa (Rússia).

Desses, o índice populacional da Nigéria, que é o sétimo maior do mundo, tem crescido mais rapidamente. Consequentemente, estima-se que a população do país supere a dos Estados Unidos por volta de 2050, o que tornaria a Nigéria a terceiro maior nação do mundo.

A previsão aponta que seis países terão mais de 300 milhões de pessoas em 2050: China, Índia, Indonésia, Nigéria, Paquistão e Estados Unidos.

 

Crescimento populacional na África. Com o maior índice de crescimento populacional, espera-se que a África seja responsável por mais da metade do aumento da população mundial entre 2015 e 2050. Durante este período, estima-se que a população de 28 países africanos cresça mais do que o dobro.

"A concentração do crescimento populacional nos países mais pobres mostra desafios, tornando mais difícil a erradicação da pobreza e desigualdade, o combate à fome e a expansão do sistema educacional e de saúde, todos essenciais para o sucesso da nova agenda de desenvolvimento sustentável", diz o diretor da Divisão de População no Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas, John Wilmoth.

Enquanto há um certo grau de incerteza ao redor de qualquer projeção, grande parte da população jovem da África, que vai atingir a idade adulta nos próximos anos e, consequentemente, terá seus próprios filhos, garante que a região terá um papel central na construção e distribuição da população mundial nas próximas décadas.

Crescimento desacelerado. Segundo a ONU, o índice de crescimento da população no futuro depende do caminho que o grau de fertilidade vai seguir, assim como pequenas mudanças no comportamento da fertilidade, quando são feitas projeções para décadas seguintes, o que pode ocasionar diferenças significativas na população total. Nos últimos anos, a fertilidade tem diminuído em todas as regiões do mundo, mesmo na África, onde os níveis ainda são os maiores.

Envelhecimento populacional acelerado. A queda no crescimento da população se deve à redução global da fertilidade, fator que gera o aumento na taxa de envelhecimento populacional com o passar do tempo. Espera-se que o número de pessoas com mais de 60 anos cresça mais do que o dobro até 2050 e ultrapasse o triplo até 2100.

Um envelhecimento significativo da população nas próximas décadas é projetado para a maioria dos continentes, começando pela Europa, onde estima-se que 34% da população tenha mais de 60 anos até 2050. Uma grande transformação acontecerá na América Latina, no Caribe e na Ásia, em que atualmente de 11% a 12% da população tem mais de 60 anos. Até 2050, este número atingirá 25%.

Atualmente, a África é a região com a população mais jovem, porém, também terá um rápido envelhecimento - a população de idosos passará de 5% para 9% até 2050.

Expectativa de vida. A expectativa de vida ao nascer tem aumentado significativamente em alguns países menos desenvolvidos nos últimos anos. O aumento médio do índice dos locais  mais pobres cresceu em seis anos. Entre 2000 e 2005, a expectativa era de 56 anos e passou para 62 anos entre 2010 e 2015.

Enquanto as diferenças significativas na expectativa de vida entre áreas principais devem continuar, contudo, estima-se que a discrepância diminua até 2050.

O progresso na redução da mortalidade de crianças de até cinco anos - um dos objetivos das Metas do Milênio (MDGs, na sigla em inglês) - tem obtido sucesso recentemente, de acordo com a ONU. Entre 2000 e 2005 e entre 2010 e 2015, a taxa de mortalidade infantil para crianças com menos de cinco anos caiu mais de 30%, em 86 países. Destes, 13 tiveram declínio de mais de 50%. No mesmo período, o índice diminuiu mais de 20% em 156 países.

População jovem. Na África, crianças com menos de 15 anos totalizam 41% da população, em 2015, e pessoas entre 15 e 24 anos contabilizam mais de 19%, que tiveram grandes declínios de fertilidade, têm menores porcentuais de crianças, 26 e 24%, respectivamente, e valores similares de jovens, 17% e 16%, respectivamente. No total, essas três regiões abrigam 1,7 bilhão de crianças e 1,14 bilhão de jovens em 2015.

Essas crianças e jovens serão os pais e trabalhadores do futuro. Oferecer a eles saúde, educação e oportunidades de emprego, especialmente nas áreas menos favorecidas, será o objetivo principal da agenda de desenvolvimento sustentável, aponta a ONU.

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