Projeto aproxima jovens da periferia e grandes pintores

Em vez de medo, violência e falta de perspectivas, telas, tubos de tinta e contatos com artistas. Com a certeza de que a arte pode melhorar muito a cidade, um novo projeto promete aproximar adolescentes de talento da periferia de São Paulo de grandes nomes da pintura nacional. Batizado de Jovens Fazem Arte, o projeto começará esta semana com oficinas nos ateliês do Instituto Tomie Ohtake. Ele terminará em 8 de outubro, às 20 horas, com o leilão O Artista pela Criança, que trará cerca de 40 obras assinadas por figuras renomadas como Arcangelo Ianelli, Gustavo Rosa, Guto Lacaz, Ivald Granato, Leda Catunda, Paulo Pasta e Takashi Fukushima. O dinheiro arrecadado será revertido para a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente. O evento tem apoio do Estado e promete repetir o sucesso do Leilão Dez Vezes São Paulo. Realizado em dezembro com dez telas que homenageavam o primeiro aniversário da capital no novo milênio, ele rendeu R$ 88.500,00 à entidade. Encontros - A criadora do Jovens Fazem Arte, Gilda Batista, disse que, leilão à parte, o projeto prevê oito encontros semanais. Neles, 20 adolescentes do Centro Cultural da Vila Prudente e do Arrastão Movimento de Promoção Humana terão contato com artistas, como Cláudio Tozzi e Nino Cais. Depois poderão desenvolver trabalhos próprios e em grupo, que serão expostos e colocados à venda no Instituto Tomie Ohtake, junto às obras que serão leiloadas, entre 1.º e 8 de outubro. A idéia dos encontros, de acordo com Gilda, é estimular a concentração, o olhar e a auto-estima dos jovens, sensibilizando e despertando a criatividade. Oportunidade - Para o diretor do Centro Cultural da Vila Prudente, Antonio Marcos da Silva, a experiência será uma oportunidade de reforçar o trabalho que já vem sendo desenvolvido na Favela de Vila Prudente, onde, entre outras coisas, jovens fazem caminhadas para analisar detalhes da arquitetura e do cotidiano da favela e transformá-los em trabalhos de cerâmica, fotografia, pintura e desenho. "Não tem outro caminho para transformar a realidade e dar chances aos adolescentes, para que eles deixem a favela, que não seja o da educação e da arte." A diretora administrativa do Arrastão, Vera Masagão Ribeiro, também está animada com a proposta do Jovens Fazem Arte. "Com a experiência artística, os meninos da periferia podem se soltar e aliviar um pouco o cotidiano denso em que vivem, de crime e violência", afirma Vera. "Além disso, a arte serve como contraponto, porque o belo também faz parte da vida." O Arrastão foi fundado há 32 anos na divisa entre São Paulo e Taboão da Serra e atende atualmente 678 crianças e adolescentes. Serviço: Instituto Tomie Ohtake ? Rua: Coropés, 88 ? Pinheiros ? 6844-1900

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