Projeto de Niemeyer para o Ibirapuera pode sair do papel em SP

Muito antes de construir o Sambódromo carioca ou mesmo de pensar que existiria uma cidade como Brasília, o arquiteto Oscar Niemeyer rascunhou em um pequeno guardanapo de papel o projeto original do Parque do Ibirapuera, em São Paulo.O ano era 1951, e Niemeyer queria construir um teatro de ópera bem no meio da imensa área verde para transformar o local num centro de arte - o que na verdade nunca chegou a ser feito. Mas depois de 51 anos, a Prefeitura se propõe a transformar em realidade as idéias que nunca saíram daquele pequeno guardanapo cheio de desenhos. Durante as comemorações dos 48 anos do Ibirapuera, que vão acontecer nesta sexta-feira, a prefeita Marta Suplicy (PT) e a secretária municipal do Meio Ambiente, Stela Goldenstein, irão apresentar à população um plano de revitalização do parque - aquele mesmo elaborado por Niemeyer há 51 anos. Batizado pelo próprio arquiteto de "Plano Diretor", o projeto pretende dividir o Ibirapuera em duas áreas distintas - uma voltada às atividades artísticas e a outra destinada exclusivamente ao lazer.Entre outras inúmeras mudanças, também seria construído um grande teatro entre a Marquise e a Oca. A previsão é que tudo isso fique pronto já em 2004 - quando se comemoram 450 anos da cidade e 50 anos do parque. "Sempre achei que o Ibirapuera ficou capenga sem o teatro e sem as outras mudanças", diz Oscar Niemeyer, de 95 anos. "Só sei que o parque não pode continuar do jeito que está. Já tinha perdido as esperanças de ver tudo pronto."Quem devolveu as esperanças ao arquiteto foi a própria secretária Stella Goldenstein. Na surdina, ela desenterrou o projeto há três meses e pediu para uma equipe estudar a sua viabilidade. Depois de algumas adaptações e adições, os esboços e o extenso relatório - que custaram R$ 400 mil à Prefeitura -, foram mandados para a aprovação da prefeita Marta Suplicy. A apresentação pública do "Plano Diretor", que acontecerá amanhã, a partir das 11h, na Praça Burle Marx, tem dois objetivos principais. O primeiro, e mais importante, é a captação de recursos da iniciativa privada. O outro é conseguir a aprovação das obras por parte das três entidades de preservação do patrimônio público - responsáveis pelo tombamento do parque. Sem a assinatura desses conselhos, nada poderá ser mexido no Ibirapuera. Se tudo correr conforme a previsão da Prefeitura, o teatro de 4.000 lugares - com a cúpula retrátil - será feito na praça em frente ao Pavilhão Lucas Nogueira Garcez (a Oca), com direito até a um lago artificial. "Quando desenhamos o conjunto arquitetônico do Ibirapuera, ele surgiu destinado às artes plásticas, ou melhor, a um grande centro de arte", explica Niemeyer. "Além disso, todos os prédios estavam em harmonia. Mas sem o teatro, a Oca e a Marquise não fazem sentido. E vendo o parque agora, percebi que muitas coisas precisam mudar para criar novamente uma harmonia."O zoneamento do Ibirapuera - ou seja, a divisão do parque em duas áreas diferentes - seria feito na altura da área dos lagos. De um lado, ficaria um "centro de artes" (com a Bienal, MAM, Oca e a Marquise). O teatro seria feito nessa área, com o intuito de abrigar todos os shows e eventos que acontecem atualmente na Praça da Paz. De outro, ficaria uma área mais "contemplativa", destinada somente aos esportes. Tudo que não se adequasse ao projeto seria demolido, os prédios administrativos, algumas quadras e até um pedaço da pista de cooper. Como se não fosse suficiente, ainda seriam construídas duas garagens subterrâneas na altura do Obelisco. As já existentes seriam destruídas. "São muitas mudanças, eu sei, mas é tudo para melhorar o espaço mais importante da cidade", explica Niemeyer. "A população, mais do que ninguém, merece."

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