Projeto de Temer frustra plano de Kassab em SP

Insistência do vice-presidente em lançar candidato do PMDB na disputa municipal contraria vontade do prefeito, que sonhava em formar aliança

Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2011 | 00h00

Os movimentos de reconstrução do PMDB paulista feitos pelo vice-presidente da República, Michel Temer, na semana passada, causaram um revés nos projetos do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

A caminho da fundação de seu PSD, Kassab não contava com o pré-lançamento do deputado Gabriel Chalita, recém-anunciado no PMDB, para concorrer à Prefeitura de São Paulo. O plano do prefeito era atrair o partido de Temer para uma aliança com o PSD. Por isso, no mês passado ele incorporou Bebeto Haddad, presidente do PMDB paulistano, ao seu secretariado, à frente do Esporte. Em 2008, os peemedebistas estiveram com Kassab.

Inconformado, o prefeito ligou para líderes peemedebistas criticando Chalita. Para Kassab, o deputado vai atuar como linha auxiliar do governador Geraldo Alckmin (PSDB), seu padrinho político. Entre 2001 e 2006, Chalita foi secretário da Educação do governo do tucano.

Dentro do PT, outra sigla que sonha com uma união com Temer na eleição do ano que vem, os movimentos do vice-presidente da República foram interpretados como um sinal de que ele, de fato, está empenhado na reconstrução do PMDB paulista e terá candidato próprio.

Os petistas foram avisados pelo vice de Dilma Rousseff de que o escritor e educador Chalita, egresso do PSB, será mesmo candidato a prefeito e que uma aliança só será possível em um eventual segundo turno.

Mas, conforme o raciocínio do PT de São Paulo, o pior cenário seria o PMDB novamente com Kassab ou com os tucanos, algo pouco provável neste momento.

Bandeirantes. Temer também filiou o empresário Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), como uma opção para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em 2014, mas ele poderá ser candidato no ano que vem caso Chalita, por qualquer motivo, não se viabilize. O empresário também deixou o PSB (leia entrevista com Skaf na página A11).

O projeto de Temer é ocupar o vácuo deixado pela morte do ex-governador Orestes Quércia em dezembro e se transformar em um líder regional, algo comum dentro do PMDB, porém não alcançado pelo vice. Quércia controlava praticamente todos os diretórios do partido.

Desidratado

Nas duas últimas décadas o PMDB minguou em São Paulo. O partido chegou a ter 14 deputados federais entre os 70 eleitos pelo Estado em 1994, mas hoje tem apenas um representante.

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