Projeto de torres de 40 andares é vetado na Rua Augusta

O projeto da construtora Setin que previa quatro edifícios de até 40 andares no terreno tombado do antigo Colégio Des Oiseaux, na Rua Augusta, na região central da cidade, foi rejeitado por unanimidade na reunião realizada na terça-feira, 24, no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp). Segundo o vereador Juscelino Gadelha (PSDB), também conselheiro da instituição, a altura dos prédios foi o maior empecilho à aprovação. ?Ali, para não prejudicar o bosque, segundo a legislação, o gabarito deveria ser de 21 metros e não 120 metros?, afirmou Gadelha. Presidente da construtora, o arquiteto Antonio Setin defendia a tese de que os prédios altos abririam mais espaço no térreo, já que o terreno mede cerca de 24 mil m² e permitiria mais edificações do que apenas as quatro torres previstas nesse projeto. Gadelha defende o mesmo posicionamento da Sociedade Amigos e Moradores de Cerqueira Cézar (Samorcc), que pede à Prefeitura a desapropriação do terreno e a construção de um parque público no lote. ?A luta ali é antiga, vem de mais de 30 anos. Não será fácil aprovar um empreendimento naquele espaço?, adiantou o conselheiro. Cabe à Setin, agora, readequar o projeto, oferecendo prédios baixos, porém em maior número, considerando que o índice de aproveitamento do terreno permite, pelo menos, erguer edificação de 24 mil m² de área construída - correspondente ao coeficiente básico de aproveitamento da cidade, que é uma vez a metragem do terreno. O projeto atual é assinado por Décio Tozzi, o mesmo do Parque Villa-Lobos e do Fórum Trabalhista da Barra Funda, ambos na zona oeste. O contrato assinado com o proprietário do terreno, o banqueiro Armando Conde, permite à Setin quebrá-lo caso o Conpresp impedir a obra. Procurados, os diretores não responderam aos pedidos de entrevista do Estado, informando que estavam em reunião. Esse é o segundo projeto em dois anos para o terreno da Rua Augusta. O anterior era o de um hipermercado da rede Wall Mart. Desde 1974, quando o Des Oiseaux se mudou de lá, o terreno está vazio. O prédio da escola, assinado por Victor Dubugras, foi demolido antes do tombamento, restrito ao bosque com 695 espécies de árvores nativas, uma pequena casa, o muro e o portão.

Agencia Estado,

25 Abril 2007 | 10h39

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