Marcio Fernandes/AE-18/10/2010
Marcio Fernandes/AE-18/10/2010

Projeto eleitoral faz PT-SP cobiçar mais cargos no Estado

Em busca de se fortalecer para a disputa nas urnas, partido mira segundo escalão federal em São Paulo e cria atrito com os aliados

Julia Duailibi, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2011 | 00h00

O PT planeja aumentar o seu espaço e influência na máquina federal do Estado de São Paulo como forma de tentar romper a hegemonia da aliança PSDB-DEM na prefeitura da capital paulista e no Palácio dos Bandeirantes. Para se fortalecer, os petistas querem controlar a maior parte da estrutura orçamentária da União no Estado, quase R$ 11 bilhões divididos em 39 mil cargos, 660 comissionados.

Integrantes da bancada paulista do PT fizeram nas últimas duas semanas reuniões com a direção partidária, em Brasília, para identificar o mapa das nomeações atuais, ou seja, com qual partido está determinado órgão ou quem é o padrinho dos nomeados, além de discutir os critérios das indicações para os postos do governo federal no maior colégio eleitoral do País.

O PT considera estratégico ocupar as estruturas de órgãos sociais em São Paulo, como braços de ministérios que fazem investimentos em habitação, saúde e educação no Estado. "Temos em São Paulo investimentos importantes do Minha Casa, Minha Vida, investimentos importantes em saneamento. Mas as pessoas não sabem que foram feitos pelo governo do PT", afirma uma liderança do partido no Estado.

O PT avalia que uma das maneiras de quebrar a resistência da classe média paulista e, assim, ganhar força eleitoral é "disputar a autoria" dos investimentos feitos em São Paulo com as administrações do PSDB, no governo paulista desde 1995, e do DEM, na prefeitura da capital.

Com a aprovação do novo salário mínimo na Câmara quarta-feira passada, a expectativa é que haja um definição em breve, pois a presidente Dilma Rousseff determinou o congelamento das negociações até que a votação seja concluída pelo Congresso. Nesta semana, a valor de R$ 545 será submetido ao Senado.

O presidente do diretório estadual do PT-SP, Edinho Silva, deve fazer uma reunião com integrantes da bancada paulista para discutir a questão. Depois, as demandas serão levadas para o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "Não necessariamente haverá troca nos órgãos. O governo é plural. A discussão tem que ser feita com os aliados", afirmou Dutra. "A questão não é discutir cargos. Mas, sim, o conceito de políticas públicas que o PT defende", disse Edinho.

O PT já tem o controle de estruturas importantes no Estado. Terceiro maior entreposto comercial do mundo, com movimento de R$ 4,5 bilhões no ano passado, a Ceagesp está presidido por Mario Maurici de Lima Morais, ex-prefeito de Franco da Rocha, que foi indicado na gestão passada pelo atual ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

A representação Incra no Estado, responsável por ações de reforma agrária, está com Raimundo Pires Silva, ligado ao líder da bancada do PT, Paulo Teixeira, que também é próximo de Evangelina Almeida Pinho, chefe da Secretaria de Patrimônio da União, órgão ao qual estão associados os imóveis e terrenos federais em São Paulo.

Neste ano, o partido quase desencadeou uma crise interna por causa da indicação para a superintendência dos Correios na região metropolitana de São Paulo. O posto estava com José Furian Filho, que foi indicado pelo PMDB para assumir a diretoria comercial do órgão em Brasília. O deputado João Paulo Cunha acabou indicando o sucessor, Wilson Abadio de Oliveira, sem submeter a nomeação aos demais integrantes da bancada paulista. Deputados do PT se sentiram traídos, já que a orientação era para que as decisões sobre os cargos fossem tomadas em conjunto pela bancada.

Pontos de atrito. Na discussão sobre a divisão dos cargos em São Paulo, deputados petistas temem a ampliação do poder de fogo do PSB e do PMDB, agora fortalecido pelo controle do vice-presidente Michel Temer do diretório estadual, antes nas mãos de Orestes Quércia, morto no final de 2010.

O PMDB também já definiu que pretende aumentar sua participação na divisão do bolo. A direção do partido em São Paulo avalia ter ficado muito tempo em "segundo plano". O PMDB controla a Funasa. Desde 2007, o diretor é Raze Rezeck, irmão do deputado estadual Uebe Rezeck, aliado de Temer. Também é indicação do PMDB paulista a superintendência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Estado. O atual superintendente, Alfredo Luiz Brienza Coli, é ligado ao ex-presidente da companhia, Wagner Rossi, ministro da Agricultura. Outros dois postos que entram na cota do PMDB são as nomeações da Infraero em São Paulo, principalmente para cargos no Aeroporto de Congonhas e de Guarulhos.

Um dos maiores pontos de atrito com aliados, no entanto, está no Porto de Santos, uma das joias da coroa do governo federal no Estado, que movimentou, no ano passado, US$ 96 bilhões em mercadorias, cerca de R$ 160 bilhões. Embora o PSB controle a instituição, o PT quer aumentar a influência na diretoria da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

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