Projeto libera 1,5 mi de m² na Lapa

O Conselho do Patrimônio Histórico de São Paulo (Conpresp) coloca em votação na terça-feira um projeto que exclui do processo de tombamento 21 imóveis na região da Lapa, zona oeste da capital. Se aprovada, a proposta "descongela" 1,5 milhão de metros quadrados. A maior parte dos galpões e casarões é da primeira metade do século passado. Esses imóveis têm valor histórico contestado por especialistas e pela própria Secretaria Municipal de Cultura. As edificações entraram em processo de tombamento na revisão do Plano Diretor, em 2004. Na lista estão, por exemplo, os galpões das Ruas Faustolo e Coroados. Para o secretário de Cultura, Carlos Augusto Calil, a interrupção no tombamento ajudará no desenvolvimento da região. "Com certeza o local será valorizado. O essencial deve ser preservado, mas não se pode imobilizar a cidade", afirma. "Cada bairro tem sua própria dinâmica e isso é levado em conta quando os técnicos analisam os processos." "Nunca houve a intenção de tombar esses imóveis na Lapa. A maioria deles não tem valor histórico. O que ocorreu foi que a Lei de Zoneamento de 2004 os incluiu automaticamente em processo de tombamento." Na época, a Subprefeitura da Lapa foi a que mais indicou imóveis para preservação no Município - 51 ao todo. A exclusão do tombamento é aguardada com ansiedade pelo mercado imobiliário. Isso porque o plano do governo municipal com a Operação Urbana Vila Leopoldina-Jaguaré é levar mais 175 mil moradores à região degradada da Lapa - hoje ocupada por prédios abandonados às margens da linha férrea usada pela empresa de cargas MRS e pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Atualmente, a Lapa ocupa apenas a 50º posição entre os bairros que se valorizaram na capital nos últimos dez anos, atrás dos vizinhos Jaguaré (1º lugar), Perdizes (29º) e Pompéia (35º). "Tombar por tombar, sem dar uma finalidade cultural ao bem, é erro. Não podemos tombar áreas e transformar bairros em cidades fantasmas", afirma João Crestana, do Sindicato da Habitação (Secovi), entidade que representa as principais empreiteiras da capital. A reurbanização da parte baixa da Lapa é defendida também por urbanistas como Cândido Malta e Vasco de Mello - representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) no Conpresp. "Não só a reurbanização é possível, como o espaço da linha férrea que passa ali permite um projeto de linha do metrô de superfície", defende Malta. Mello considera que bem tombado sem conservação só deteriora uma região como a Lapa. "Para tombar, é necessário um estudo que mostre o potencial de utilização." Até Walter Pires, diretor do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), aprova a liberação daquela área. "Não há justificativa histórica para preservar."

Diego Zanchetta e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

10 Agosto 2008 | 00h00

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