Projeto reduz exigência de escolaridade para policiais

Por 40 votos a 21, foi aprovado nesta terça-feira na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) o projeto de lei do governador Anthony Garotinho que reduz de terceiro para segundo grau o nível de escolaridade exigido para ingressar na Polícia Civil.Agentes ligados ao Núcleo de Defesa dos Policiais Civis fizeram um protesto no plenário da Alerj quando o resultado da votação foi anunciado. A categoria ameaça entrar em greve.O projeto do governador modifica a lei 2.990, de 1998, que instituía o terceiro grau para quem participasse de concursos públicos para a Polícia Civil - embora a exigência nunca tenha sido colocada em prática, já que o Estado não promove provas desde 1993.Nesta terça-feira, durante a votação, todas as emendas propostas pelos policiais foram rejeitadas. Revoltados, os deputados da oposição deixaram o plenário em sinal de protesto e, quando voltaram, a votação já estava ganha para a bancada governista.Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Fernando Bandeira, até o fim da semana a categoria se reunirá numa assembléia para decidir se haverá ou não greve. "Toda a categoria e integrantes do Núcleo de Defesa dos Policiais Civis vão reunir-se para estudar novos protestos e até mesmo a proposta de uma greve", disse Bandeira.O agente Carlos Cota, do Núcleo de Defesa dos Policiais Civis, classificou de "retrocesso" a redução da exigência de escolaridade. "O objetivo da Secretaria de Segurança Pública é militarizar a sociedade. A polícia judiciária deve ser a mais qualificada", disse Cota, que participou da vigília em frente ao prédio da Alerj, no centro, realizada nas últimas 24 horas.Cota acusou o governo de estar interessado apenas no aumento do número de inscrições para a polícia. "Com a exigência de 2º grau, até 130 mil pessoas se inscreverão na prova. Cada uma delas paga uma taxa de R$ 64. Já com a obrigação do 3º grau, somente 20 mil pessoas se candidatariam", explicou o agente.Segundo ele, o fato de o secretário de Segurança, Josias Quintal, ser um coronel da PM, faz com que ele defenda somente sua classe, em detrimento da Polícia Civil.

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