Projetos de fora incluem estádio, prédios e fábrica

Até Prefeitura já recebeu proposta de grupo espanhol para torre de 650 metros de altura no Campo de Marte

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

29 de março de 2009 | 00h00

A polêmica notícia de que o governo estadual contratou a grife dos arquitetos suíços Herzog & De Meuron para projetar um centro cultural na região da Luz serve apenas como um exemplo da recente invasão de profissionais estrangeiros em São Paulo. "O novo estádio do Palmeiras, por exemplo, que será reformado a partir do segundo semestre, foi desenhado por um arquiteto português, o Tomás Taveira", aponta o consultor americano e especialista em planejamento urbano Elijah Wilcox. "Claro que poderiam procurar um arquiteto brasileiro, ainda mais na terra do futebol, né... Mas a expertise definitivamente não é a mesma."A filial da empresa nova-iorquina DBB Aedas também já criou projetos ambiciosos para São Paulo, como a fábrica de peças automotivas da Valeo em São Miguel Paulista, na zona leste, uma nova sede para o Unibanco em Pinheiros e um conjunto de dez torres residenciais em Pirituba, os dois últimos ainda em desenvolvimento na zona oeste. "Tentamos sempre pensar na importância do aspecto público-privado do projeto", diz a arquiteta Anna Julia Dietzsch, que se reveza entre os escritórios de São Paulo e Nova York. "No Unibanco, por exemplo, desenhamos um lobby urbano, onde teríamos um centro de convenções que viraria teatro. Já em Pirituba o projeto contempla um shopping center e uma área verde, que seriam totalmente abertos à população."Na beira da Marginal do Pinheiros, a WTorre também contou com a ajuda de um escritório americano de arquitetura para terminar a construção do ex-esqueleto da Eletropaulo. O projeto, feito pela empresa Arquitectonica, contempla mais duas torres e um novo shopping do grupo Iguatemi, que estão previstos para o fim de 2010. Outro desenho com sotaque estrangeiro que deve chamar a atenção dos paulistanos é a nova sede do Istituto Italiano di Cultura, em Higienópolis, criado pelo italiano Massimiliano Fuksas. Apontado como um dos maiores arquitetos vivos, Fuksas já foi diretor da Bienal de Arquitetura de Veneza e trabalhou na reconstrução urbana de Berlim, na Alemanha. Em seu primeiro trabalho na América Latina, o arquiteto pretende construir um centro cultural em um terreno de 685 metros quadrados. Só a maquete já impressiona pelo inusitado - serão construídos espelhos d?água gigantescos e dois túneis com estrutura que mais parece a de imensas lagartas (ou vértebras de dinossauros).A Prefeitura está até se acostumando em receber propostas de arquitetos estrangeiros para novos empreendimentos na cidade - muitos inviáveis, uma vez que os profissionais não conhecem a legislação local. O último a bater na porta do gabinete do prefeito foi o espanhol Juan Ripoll Marí, que pretende construir uma megatorre (e bota "mega" nisso) na área do Campo de Marte. Seu projeto, batizado de Centro Mundial de Congressos, teria 650 metros de altura - para ter noção da megalomania, o Mirante do Vale, atualmente o prédio mais alto do País e o 198º do mundo, tem "mirrados" 170 metros."Não tenho nada contra nem a favor em relação à vinda de arquitetos estrangeiros para cá. A única coisa que não pode é esquecer que há muita gente talentosa por aqui", diz o arquiteto paulistano Isay Weinfeld, que recentemente ganhou um dos mais respeitados prêmios internacionais por um prédio residencial, o Edifício 360°, a ser erguido na zona oeste de São Paulo. "Acho que hoje as pessoas têm muito mais referências em relação à arquitetura, muito mais informação, então quanto mais discussão houver, melhor."

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