Projetos entregues fora do prazo e inadequados causaram atraso

Segundo vice-reitora da UFMG, especialistas da própria universidade fizeram adaptações e corrigiram os problemas

O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2011 | 03h04

Representantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que abrigará o Memorial da Anistia, atribuem o atraso das obras às empresas que venceram as licitações para sua execução. "Enfrentamos dois tipos de problemas", diz a vice-reitora Rocksane de Carvalho Norton, coordenadora da comissão de instalação do memorial. "Algumas empresas não entregaram no prazo. Entre as que entregaram, alguns projetos não eram adequados."

Para não abrir novas licitações, o que atrasaria ainda mais as obras, a UFMG decidiu mobilizar seus próprios especialistas para fazer as correções e adaptações no material já entregue. "Estamos correndo para que as obras comecem a andar no início de 2012", explica Rocksane. "Elas devem durar quase dois anos."

Não foram essas as únicas causas do atraso. Inicialmente, a UFMG pretendia construir o memorial por meio de uma fundação universitária. Devido a pressões do Ministério Público sobre essa forma de terceirização de serviços públicos, sem licitações, acabou recuando. Essa mudança contribuiu para o atraso.

Também ocorreram divergências internas sobre a concepção do memorial. Para resolvê-las o governo federal criou uma curadoria, com quatro integrantes: a historiadora e pesquisadora Heloísa Starling, coordenadora do Projeto República, da UFMG; o historiador Augusto Buonicore, membro do Comitê Central do PC do B; o historiador Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do PT; e o jornalista e ex-preso político Alípio Freire.

Em entrevista ao Estado, a pesquisadora Heloísa Starling disse que, apesar do atraso na execução física do memorial, o trabalho de pesquisa iconográfico e levantamento de documentos históricos está bem adiantado. "Já fizemos uma ampla varredura em arquivos em diferentes regiões do País", contou. "Constatamos que a quantidade de material disperso e ainda não estudado é maior do que imaginávamos. Encontramos muitos arquivos particulares no Nordeste."

Acervo. O próximo desafio da equipe de Heloísa será a seleção do material que ficará exposto na parte do memorial aberta ao público. Entre fotos, folhetos, panfletos e filmes já reunidos, conta-se cerca de 20 mil documentos.

De acordo com explicações do presidente da Comissão da Anistia, Paulo Abrão, o memorial faz parte do programa de reparação das vítimas da ditadura que o Estado brasileiro desenvolve: "Ele porá em evidência uma parte da história que não pode ser esquecida, para que nunca mais se repita. Será um espaço de homenagem aos perseguidos". / R.A.

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