ProJovem não decola, mas Lula pede elogios

Programas unificados em 2008 tentaram superar fracasso do Primeiro Emprego

Carmen Pompeu, ESPECIAL PARA O ESTADO, FORTALEZA, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2010 | 00h00

Em discurso para estudantes inscritos no ProJovem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou os programas sociais para jovens lançados no seu governo. Mas não citou as metas. Sem conseguir combater os altos índices de evasão dos programas, os quatro ProJovens não conseguirão atender nem à metade dos 4,5 milhões de jovens em situação de risco.

Ao lado da prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), do governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), Lula discursou ontem para um grupo de estudantes no Ginásio Paulo Sarasate. Depois sugeriu aos jornalistas presentes que fizessem reportagem ressaltando os números do ProJovem e enaltecendo as conquistas dos jovens atendidos pelo programa. "Se vocês querem ganhar o Prêmio Esso de Jornalismo façam matéria sobre este assunto", propôs, bem-humorado.

No discurso para os jovens, Lula adotou tom eleitoral e de recado para os adversários. Avisou que não ficará em casa nem vai parar de viajar quando deixar o Planalto. "Vou continuar fazendo política", disse.

Assim como no caso do Fome Zero - uma tentativa malsucedida de abandonar a Rede de Proteção Social criada no governo Fernando Henrique Cardoso -, o governo Lula lançou o Primeiro Emprego, em 2003, para ter uma marca social própria no atendimento aos jovens. O programa fracassou e a saída foi unificar, debaixo da coordenação da Secretaria Nacional de Juventude, os quatro ProJovens - o ProJovem Urbano, o ProJovem Adolescente, o ProJovem Campo e o ProJovem Trabalhador - cuja evasão média é de 20%.

O Fome Zero acabou no primeiro mandato de Lula e foi trocado pelo Bolsa-Família, a unificação e ampliação de quatro programas do governo FHC.

Meta. A meta do governo Lula, estabelecida na unificação dos ProJovens, era atender 2,3 milhões de jovens, cerca de metade do contingente de 4,5 milhões dos que se encontram em situação de risco. Nos dois primeiros anos (2008 e 2009), o atendimento atingiu 1 milhão de jovens, média de 500 mil por ano. Técnicos da Secretaria de Juventude admitem que, apesar do esforço eleitoral, não será possível atender neste ano o restante 1,3 milhão de jovens.

Apesar da performance abaixo das metas, Lula citou números, sustentando que o ProJovem Urbano, após a unificação, ampliou atendimento para 96 municípios com mais de 200 mil habitantes.

Lula apontou o exemplo de Eliane, 27 anos, mãe de 4 garotos e já viúva. Disse que ela havia abandonado a escola na 5.ª série e retomou os estudos graças ao ProJovem Urbano. Ao citar que 60% dos jovens atendidos são mulheres e já com filhos, o presidente disse: "São meninas, que deveriam estar brincando de ser meninas, e já são mães."

No discurso, Lula anunciou o que fará ao deixar o governo. "Não vou para Paris, não vou para Londres. Vou ficar no Brasil. Vou continuar fazendo política, continuar ajudando o povo."

Opção. Entre a conquista da Copa do Mundo e a vitória deDilma Rousseff, Lula disse que prefere a segunda opção. "A resposta vai fazer com que adversários meus coloquem como manchete "Lula não quer que a seleção ganhe o título". Prefiro que o candidato que eu apoio ganhe as eleições porque estou pensando no Brasil para os próximos quatro, para os próximos oito anos", disse. "Agora, obviamente, a seleção vai ganhar porque não temos adversários."

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