Promotor acusado de homicídio será julgado hoje

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça (TJ) - composto pelos 25 desembargadores mais antigos - julga hoje, pela primeira vez na história, um promotor de Justiça acusado de assassinato. Igor Ferreira da Silva, de 34 anos, afastado de suas funções há mais de dois anos, será julgado pelo assassinato de sua mulher, a advogada Patrícia Aggio Longo, de 28 anos, que estava grávida. O assassinato ocorreu na madrugada de 4 de junho de 1998, em Atibaia, no interior do Estado.Às 13 horas, o presidente do TJ, desembargador Márcio Martins Bonilha, declarará aberta a sessão do Órgão Especial. Por ser um membro do Ministério Público Estadual (MPE), Igor não será julgado pelo júri popular. Prevalece o entendimento previsto na Constituição Federal de que o TJ é o órgão competente para declarar sua culpa ou inocência.O primeiro passo do julgamento será a leitura do relatório (um resumo do caso) pelo relator, desembargador José Osório de Azevedo Júnior. Em seguida a acusação, a cargo da procuradora Valderez Deusdedit Abbud, poderá falar por até uma hora e meia. O criminalista Márcio Thomaz Bastos falará pela defesa pelo mesmo tempo. Após as sustentações, o relator lerá seu voto condenando ou absolvendo o réu. José Osório é considerado no TJ como um dos desembargadores mais técnicos da Casa. Em seguida, será a vez do revisor Menezes Gomes ler seu voto. Os demais desembargadores poderão pedir individualmente a palavra para fundamentarem suas decisões. O último a votar deverá ser o presidente do TJ. O julgamento deve ser encerrado no início da noite.Três anosA sessão é um dos últimos capítulos de um processo que se arrasta há quase três anos. Para a Procuradoria-Geral de Justiça, não há dúvidas de que Igor é o assassino de sua mulher. Por isso, deve ser condenado por homicídio qualificado e aborto provocado sem o consentimento da gestante. A pena, em caso de condenação, pode variar de 15 a 40 anos de prisão. A acusação quer, ainda, que o TJ não conceda ao réu o benefício de apelar em liberdade aos tribunais superiores, em Brasília. Nesse caso, Igor será preso após o julgamento.O promotor afirma inocência. Diz que foi abordado por um ladrão na entrada de um condomínio, em Atibaia. O homem, armado, obrigou-o a descer e seguiu com seu carro levando Patrícia. Igor correu para pedir ajuda num posto policial, na Rodovia Fernão Dias.Durante a coleta de provas do processo, acusação e defesa alternaram bons e maus momentos. Mas a maior polêmica ficou com exame de DNA realizado no bebê. Bastos pediu ao TJ que os corpos fossem exumados para comprovar a paternidade de Igor e sustentar que não haveria motivo para o crime. Peritos da Universidade de São Paulo (USP) atestaram que o bebê não era filho do promotor. A defesa acusa erros no laudo, mas a Justiça não autorizou a realização de novo exame.

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