Promotor afirma que menor participou do sequestro de Eliza

'Ele não vai repetir palavras que não foram ditas e sim colocadas na boca dele. Essa história de mão jogada para cachorro não existe', disse o advogado do adolescente

Eliane Souza, especial para O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2010 | 18h26

BELO HORIZONTE - O promotor Gustavo Fantini do Ministério Público disse na tarde desta quinta-feira, 22, que já tem todos os elementos que comprovam a participação do menor J. no suposto sequestro de Eliza Samudio. Fantini, no entanto, ainda não confirmou a informação de que o menor esteja envolvido no supostos assassinato e ocultação de cadáver.

 

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O presidente da Comissão dos Direitos da Criança, do Adolescente e do Idoso da OAB-MG, Stanley Gusman, disse que J. está bem acompanhado e constatou que o adolescente estava à vontade na sala durante toda a audiência e assegurou que está sendo mantida a integridade física e emocional do menor.

 

Sem falar uma palavra, em menos de meia hora, o goleiro Bruno, Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, deixaram o Juizado da Infância e da Juventude, em Contagem (MG) e voltaram para a penitenciária Nelson Hungria.

 

Todos foram intimados a prestar depoimento na condição de testemunhas e chegaram no Juizado por volta das 13h30 desta quinta-feira, 22, mas decidiram não responder às perguntas do juiz Elias Charbil Abdou Obeid sobre a participação do menor J. no desaparecimento de Eliza Samudio.

 

Antes de entrar no Juizado, o advogado do menor, Eliezer Jonatas de Almeida, disse que como seu cliente já falou com o juiz, não haveria necessidade de falar novamente hoje. Ele afirmou ainda que J. está aliviado mas ansioso. Caso seja considerado culpado, o adolescente pode cumprir medida socioeducativa de até três anos de internação. O Ministério Público e o advogado de defesa do menor têm 24 horas cada para apresentar as alegações finais ao juiz.

 

"Ele não vai repetir palavras que não foram ditas e sim colocadas na boca dele. Essa história de mão jogada para cachorro não existe", disse Almeida, que alegou ainda que Bola e Nenêm não são as mesmas pessoas. Nenêm, segundo o menor, seria um homem, alto, magro, negro e calvo. Perguntado se foi a polícia que colocou as palavras na boca do menor, o advogado respondeu: "Vocês deduzem".

 

Almeida disse ainda que o menor sustenta que foi simplesmente contratado para dar um susto em Eliza. "Ele nunca soube quem é Bola e também não levou a polícia na casa do Bola".

 

Mesmo assim, o advogado do menor disse que não vai pedir a anulação dos depoimentos que já foram feitos porque estão apenas no inquérito e não na Justiça. O advogado do menor alega ainda que o menor teria sido agredido com um "tapa na cara' quando prestou depoimento no Rio de Janeiro.

 

Já os advogados dos outros suspeitos disseram apenas que seus clientes não falariam.

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