Promotor ainda acredita na inocência de trio condenado

A condenação dos três rapazes levados a júri popular nesta semana pelo assassinato de Vanessa de Freitas, em 2006, não abalou a convicção do promotor Marcelo Alexandre de Oliveira de que o trio é inocente. Foi ele quem primeiro atuou no caso e, em setembro, pediu a soltura de Renato Correia de Brito, Wagner Conceição da Silva e Willian César de Brito Silva, após a confissão de Leandro Basílio Rodrigues, apelidado pela polícia de Maníaco de Guarulhos. "Acompanhei o processo até a entrada do assistente de acusação, um mês atrás, e não vi provas que incriminassem os réus", disse Oliveira.Por sugestão de amigos, o promotor abriu mão de atuar no julgamento. Seu substituto foi Levy Emanuel Magno, que pediu a condenação dos três. Renato e Wagner acabaram condenados a 24 anos de prisão por homicídio qualificado e atentado violento ao pudor. A pena imposta a William foi de 9 anos, por atentado violento ao pudor. Os três foram transferidos ontem para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos. "Só um promotor competente e com muita convicção da culpa dos réus conseguiria esse resultado com aquelas provas", assinalou Oliveira.Mesmo seguro da responsabilidade dos três, o próprio Magno reconhecia que as provas contra eles eram "controversas". Durante os três dias de julgamento, a acusação não apresentou qualquer prova técnica ou testemunhal que apontasse com clareza para os rapazes, a ponto de o promotor fornecer aos sete jurados cópias do trecho do Código de Processo Penal que abordava a validade dos diferentes tipos de provas.A defesa dos réus reiterou que pretende recorrer da decisão proferida anteontem. O primeiro passo deve ser um pedido de habeas corpus, para que eles respondam em liberdade.Procurado ontem pelo Estado, o desembargador Luis Soares de Mello Neto, presidente da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), disse que "como pessoa não saberia o que dizer (da condenação dos três) e como magistrado estava impedido". Ao lado dos desembargadores Euvaldo Chaib e William Campos, Mello Neto indeferiu, em abril deste ano, um pedido da defesa dos acusados para que eles não fossem levados a júri popular e também deixassem a prisão. "O momento agora é outro", ponderou. Caberá ao magistrado e à câmara que preside analisar eventuais pedidos de habeas corpus dos acusados e apelação por um novo júri.

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