Promotor alerta que PCC pode voltar a atacar

O promotor André Luiz Felício, do Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção do Crime Organizado (Gaerco) de Presidente Prudente fez um alerta para um possível plano do PCC de praticar atentados contra autoridades. Na parte fechada do depoimento que prestou nesta terça-feira, 1º, à CPI do Tráfico de Armas, Felício leu para os parlamentares a íntegra de um "salve" (ordem) captado durante investigações da política e do Ministério Público, na última sexta-feira, 28, por volta de meio-dia. A ordem, em geral transmitida entre os presos por telefone celular, era, segundo o promotor, do bandido Júlio Cesar Guedes de Morais, o Carambola. "É para começar a seqüestrar autoridades para resolver o problema do sistema. Do jeito que está, não está surtindo efeito. O braço armado vai funcionar de vez. Acabou a paz", dizia a ordem, lida por Felício no plenário da CPI. "Ele chamou atenção para o fato porque disse não saber que autoridades poderiam estar ameaçadas", disse o relator da CPI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS). Felício disse aos parlamentares estar preocupado com a adesão ao PCC de jovens presos na Febem. "Me preocupa essa nova camada de jovens criminosos na Febem (ligados ao PCC) e também das mulheres", afirmou o promotor, durante o depoimento aberto. O promotor disse ter informações de que os integrantes da facção criminosa "estão preocupados com Catanduvas", em referência ao presídio federal de segurança máxima para onde serão levados presos de alta periculosidade de vários Estados. No trecho aberto, o promotor não falou sobre os braços do PCC fora de São Paulo, mas deixou claro que teme a concentração de presos de pontos diferentes do País em um único presídio. "Um dos meus temores são vários presos (de diferentes Estados) em uma unidade prisional. Será que não vai permitir essa ocorrência (proliferação do PCC)?", questionou Felício.PropinaO promotor contou aos deputados que, dependendo do grau de dificuldade e da fiscalização, a propina paga a funcionários das penitenciárias para a entrada de um celular em presídios varia de R$ 600 a R$ 5 mil. Em depoimento prestado à Polícia Civil no dia de sua prisão, a advogada Libânia Catarina Fernandes Costa, disse ter pago R$ 2 mil a um agente penitenciário de Mirandópolis, que a advogada identificou como Estefano, para que um celular fosse levado para dentro do presídio. Segundo Libânia, Estefano "recebe dinheiro de presos e familiares para facilitar o ingresso de celulares e outros equipamentos no interior do presídio". A advogada disse ter entregue diretamente ao agente o celular e duas baterias e que pagou a propina em dinheiro. Ela contou que, em outra ocasião, Estefano recebeu R$ 500 depositados em uma conta corrente pela mulher de um preso, para que um celular fosse entregue ao marido. Segundo a advogada, "Estefano escreveu de próprio punho o número da conta bancária". Libânia informou à polícia o número da conta e o nome do titular, que não era o agente penitenciário.Segundo Libânia, Estefano "costuma receber só o dinheiro e ele próprio trata de conseguir os celulares". A advogada diz ter percebido "que ele tem esquema de ficar com os aparelhos novos e repassar para o interior do presídio os mais velhinhos".

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