Promotor denuncia Tiririca por omissão na declaração de bens

Humorista declarou que tudo o que tinha estava em nome de terceiros por conta de pendências com a Justiça do Ceará

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

Com seus bordões cheios de humor, Tiririca (PR) ganhou a preferência do eleitorado e lidera as pesquisas de intenção para deputado federal. Sua candidatura, no entanto, corre o risco de ser impugnada caso a Justiça Eleitoral acate a denúncia realizada pelo promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes na quinta-feira. Ele alega que o comediante cometeu fraude ao declarar, em uma entrevista, que seus bens estavam em nome de terceiros.

Recordista na arrecadação de verba de campanha em seu partido, Francisco Everardo Oliveira Silva, nome de batismo do humorista, declarou à Justiça Eleitoral não ter bens em seu nome. No entanto, em reportagem da revista Veja, Tiririca disse não ter nada em seu nome por conta de processos trabalhistas e de sua ex-mulher, em trâmite no Ceará.

"O candidato declara com a maior cara de pau que tem bens que não estão em seu nome", critica o promotor. Segundo ele, ao ocultar bens de seus credores, Tiririca estaria cometendo o crime de falsidade ideológica na Justiça Eleitoral, além de fraude na Justiça comum. Por isso, Lopes entrou com o pedido de quebra de sigilo fiscal e bancário do comediante.

O promotor acredita que o pedido será julgado rapidamente, mas não soube dar um prazo específico. Segundo ele, o processo não deve ser concluído antes das eleições, mas caso Tiririca vença nas urnas e, mais tarde, seja condenado, deverá perder o mandato.

Ironicamente, os deputados que arrastar com ele em razão do quociente eleitoral - que define quantas cadeiras são reservadas a cada partido - terão o mandato garantido, independentemente da conclusão da Justiça.

Exagero. Para o advogado de Tiririca, Ricardo Vita Porto, tudo não passa de "um grande exagero". Segundo ele, não foi cometido nenhum crime eleitoral. "Ele não possui qualquer bem, seja em seu nome ou em nome de terceiros", afirma. Mais tarde, porém, disse que "a omissão de bem não configura crime eleitoral".

Porto afirmou ainda que os rendimentos de Tiririca não são suficientes para ter qualquer patrimônio. "Humorista não ganha tão bem", justificou. De acordo com o advogado, houve um acordo com a ex-mulher do candidato "há muito tempo", mas não soube precisar em que consistiria esse acerto.

Até agora, não houve notificação oficial, segundo o advogado. "Tudo o que sabemos foi por meio da imprensa." No entanto, ele garante que assim que o candidato for notificado vai entregar todos os documentos requisitados pela Justiça. "Não vai ser preciso quebra de sigilo. Vamos apresentar todas as declarações de Imposto de Renda", afirmou.

Para o advogado, a ação é reflexo da alta popularidade de Tiririca. "Estamos absolutamente tranquilos. Isso é natural para quem desponta como um dos favoritos do eleitorado."

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