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Promotor deve pedir que Pimenta Neves seja preso

O promotor Carlos Horta Filho, de Ibiúna, pode entrar nesta segunda-feira, 8, com pedido para que o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, de 69 anos, aguarde preso o resultado do recurso contra sua condenação pela morte da ex-namorada e também jornalista Sandra Gomide. Pimenta Neves foi condenado pelo Tribunal do Júri de Ibiúna, na última sexta-feira, 5, a 19 anos, 2 meses e 12 dias em regime fechado pelo assassinato de Sandra, crime ocorrido em agosto de 2000 num haras da cidade. Ele foi considerado culpado por homicídio duplamente qualificado - teve motivo torpe e usou recurso que impossibilitou a defesa da vítima. No entanto, o juiz Diego Ferreira Mendes decidiu que Pimenta Neves, ex-diretor de Redação do Estado e réu confesso do crime, vai recorrer da decisão em liberdade.Mendes entendeu que, por ter aguardado a maior parte do processo em liberdade, o réu poderá aguardar todos os recursos de sua defesa em liberdade.O julgamento durou três dias. A acusação tentou provar que o crime foi premeditado e cometido friamente. O promotor Horta Filho considerou positivos os primeiros três depoimentos - além de Gomide, os donos do Haras Setti, Deomar e Marlei Setti, onde ocorreu o assassinato. "Confirmaram que ele atirou pelas costas, deu o segundo tiro quando ela estava caída e depois saiu calmamente."Por sua vez, a defesa investiu na estratégia de mostrar um profissional reconhecido, porém abalado por crise emocional intensa. Ao ouvir o psiquiatra Marcos Pacheco de Toledo Ferraz, que o atendeu após o crime, Pimenta quase chorou: conteve-se, evitou o soluço e assoou o nariz. Não houve lágrimas.RecursosUma série de recursos foram ajuizados pela defesa do jornalista, representada pela advogada Ilana Muller, para tentar suspender o julgamento. A advogada insistia em pedir que fosse ouvida no processo a mulher do jornalista, Carole Pimenta Neves, que mora nos Estados Unidos. A intenção era provar com o depoimento de Carole que Pimenta Neves não é um homem violento e que só matou a ex-namorada movido por forte emoção, o que descaracterizaria a qualificação de crime por motivo torpe. Em primeira instância, os pedidos de oitiva foram negados.A defesa do jornalista apelou da sentença de pronúncia ao Tribunal de Justiça de São Paulo. A segunda instância negou o recurso. Veio, assim, o pedido da defesa para que o Recurso Especial chegasse ao Superior Tribunal de Justiça e para que o Recurso Extraordinário fosse submetido ao Supremo Tribunal Federal.O TJ não admitiu nenhum dos pedidos. Contra essa decisão, a defesa entrou com Agravo de Instrumento no Superior Tribunal e no Supremo. Como o agravo não suspende o andamento da ação, o processo principal foi encaminhado para o fórum de Ibiúna, que marcou a data do Júri.Foi aí que a defesa do jornalista ingressou com Medida Cautelar no STJ. O ministro Quaglia Barbosa, no dia 15 de março, deferiu o pedido, e suspendeu o Júri até que tomasse nova decisão. No mesmo dia, Barbosa julgou um Agravo e não afastou da acusação o motivo torpe (por ciúme) para o assassinato de Sandra Gomide.No mês de abril, O ministro Hélio Quaglia Barbosa, do Superior Tribunal de Justiça, revogou a liminar que suspendia o Júri do jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves. O ministro acolheu um agravo apresentado pela acusação.Depois, um pedido de Habeas Corpus no Supremo e um Agravo Regimental em Agravo de Instrumento no STJ, julgados na véspera da data do julgamento de Pimenta Neves, confirmaram o júri.O caso20 de agosto de 2000 - A jornalista Sandra Gomide, de 32 anos, é assassinada, por volta das 14 horas, no Haras Setti, em Ibiúna (SP), com um tiro nas costas e outro na cabeça. 22 de agosto de 2000 - Pimenta Neves é internado após tentativa de suicídio24 de agosto de 2000 - Pimenta Neves é preso preventivamente e indiciado por homicídio doloso (teve a intenção de matar). No dia seguinte, ele confessa o crime e alega que foi motivado por uma traição. 4 de setembro de 2000 - Pimenta Neves é transferido da Clínica Parque Julieta, na zona sul, para uma cela do 77.º Distrito Policial, em Santa Cecília. A polícia montou um forte esquema de segurança para remover o jornalista da clínica psiquiátrica, onde passou dez dias, após tentativa de suicídio. Pelo menos 15 carros e 60 policiais civis participaram da operação. 23 de março de 2001 - O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), concede liminar em habeas-corpus determinando a libertação do jornalista. No dia seguinte, Pimenta Neves deixa a carceragem do 13.º DP.27 de janeiro de 2006 - Julgamento do jornalista é marcado para 3 de maio

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