Promotor diz ter certeza de que casal vai a júri

Para advogado, as provas beneficiam acusados; juiz ouve testemunha que falou com garoto

José Dacauaziliquá e Carolina Freitas, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

Após os depoimentos de ontem, o promotor do caso Isabella, Francisco Cembranelli, destacou ter certeza "de que os acusados pelo crime vão a júri popular". Já o advogado de defesa Marco Polo Levorin disse estar otimista e acredita que seus clientes não serão levados a julgamento. "Esperamos que o casal seja impronunciado. O processo está recheado de muitas provas que beneficiam a defesa." Conheça a cronologia da apuração e as versões para o que aconteceuFaltam ainda audiências com duas testemunhas de defesa, os peritos contratados pela família Nardoni - George Sanguinetti e Delma Gama -, que serão ouvidos até o fim de agosto, por meio de cartas precatórias enviadas para Alagoas e Bahia. Depois disso, estará encerrada a fase de instrução do processo e caberá à Promotoria e à defesa fazerem as considerações finais. Então, o juiz Maurício Fossen decidirá se pronuncia ou não o casal - ou seja, se envia o caso a júri popular ou o arquiva.Fossen só fez pedidos para ouvir uma testemunha: o morador do Residencial London Jéfferson Friché, última testemunha a depor ontem. Ele contou que no dia do crime desceu ao ouvir a gritaria e encontrou o meio-irmão de Isabella Pietro, de 3 anos - filho mais velho de Alexandre e Anna Jatobá -, parado perto de uma porta de vidro, no acesso ao elevador.O menino chorava muito e parecia assustado. O morador falou que pegou o menino no colo e procurou afastá-lo da confusão. Levou o garoto para a quadra e perguntou se havia ladrão no apartamento da família. Pietro respondeu "que não". O morador perguntou depois se o menino havia visto Isabella caindo. Então, ele respondeu apenas que "ela queria ver a Lua, queria ver a casa". Na seqüência, Friché levou Pietro para perto da mãe. "Isso reforça a tese de que não havia uma outra pessoa dentro do apartamento, além do casal", disse o promotor. Mas evitou aprofundar-se. "São dados importantes, porque a criança estava no apartamento no momento em que tudo aconteceu, mas é prematuro tecer considerações sobre o que disse uma criança para uma testemunha que posteriormente reproduziu isso.""Ele pode não ter visto ninguém, assim como o casal também não viu", rebateu Levorin. "A testemunha só falou sobre questões que envolvem o imaginário de um garoto."HABEAS CORPUSDesde o dia 14, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa o último pedido para a libertação do casal Nardoni. No dia 17, o presidente da Corte, Gilmar Mendes, solicitou informações sobre o caso Isabella ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Alexandre e Anna Carolina estão presos há mais de 80 dias em presídios na região de Tremembé, no interior de São Paulo.A defesa alega ausência de requisitos legais para a prisão preventiva, apontando violação do princípio constitucional de presunção de inocência. Recursos semelhantes já foram analisados e negados pelo TJ-SP e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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