Promotor do julgamento de Bola apontas falhas na investigação do caso

Segundo acusação, perícia na casa do ex-policial foi conduzida de forma errada

Aline Reskalla, Estadão

24 Abril 2013 | 22h04

CONTAGEM - Enquando a defesa de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, festejou o depoimento do delegado Edson Moreira, que nesta quarta-feira disse que Eliza Samudio não foi esquartejada na casa de Bola, o promotor Henry Wagner Vasconcellos afirmou que a versão de Moreira fica prejudicada por três fatores que envolvem a perícia realizada na casa do ex-policial, acusado de cometer o crime.

O primeiro, segundo o promotor, é que os exames periciais foram feitos apenas 29 dias depois do assassinato da amante de Bruno, o que “leva à perda de elementos probatórios e vestígios em decorrência dessa passagem de tempo”. Vasconcellos ressaltou, em segundo lugar, que o local provavelmente passou por uma limpeza para evitar a detecção de vestígios por parte das investigações. “Qual a melhor maneira de inviabilizar um exame com luminol? A realização prévia de um borrifamento daquela substância sobre o local. Tanto que exames com luminol não são repetíveis”, disse o representante do Ministério Público. “Lembremo-nos que estamos diante de um sujeito, conforme o delegado de polícia, que é um matador profissional”, acrescentou.

Em terceiro, afirmou Henry Vasconcellos, a leitura que Edson Moreira faz dos fatos não é prova. “A prova é a afirmação de Jorge (Luiz Sales, o primo de Bruno). E ele afirmou que viu uma mão humana, naturalmente a mão de Eliza Samudio, e a promotoria de Justiça não vai se divorciar disso. A afirmação da autoridade policial claro que é considerável, mas a promotoria não pode assumi-la porque não é um elemento probatório, mas um elemento interpretativo”, afirmou o promotor.

Um dos advogados de Bola, José Gaudênio da Cunha, afirmou que a defesa começa a destruir a tese da acusação. “A verdade está vindo à tona. Isso é só o início do desmantelamento da denúncia”, disse ele.

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