Promotor é denunciado por tentativa de homicídio

A Procuradoria-Geral de Justiça denunciou nesta sexta-feira ao Tribunal de Justiça o promotor João Luis Portolan Galvão Miniccelli Trochmann por tentativa de homicídio. O promotor é acusado de ter tentado matar a mulher, a advogada Erika Trochmann, no interior de sua casa, no bairro Vale Verde, em Valinhos, região de Campinas, na noite de sexta-feira passada.Erika foi atingida por um tiro no queixo, passou por cirurgia e teve alta médica nesta sexta à tarde do Hospital Samaritano, em Campinas, onde permaneceu uma semana internada. Segundo a assessoria de imprensa da procuradoria, cabe ao Tribunal de Justiça decidir se acata a denúncia para que seja aberto um processo judicial contra o promotor.Trochmann foi preso na madrugada de sábado na Santa Casa de Valinhos, para onde levou Erika. Ela não quis falar com a imprensa, mas depôs a procuradores e afirmou que o marido a ameaçou várias vezes e tentou matá-la quando soube que havia entrado na Justiça com o pedido de separação. Erika tem duas filhas, e o promotor, dois filhos, de casamentos anteriores. Os dois estavam casados há 1,5 ano. Segundo relatório da Procuradoria, houve ?início de crime de homicídio?. Erika conseguiu se salvar porque desviou a cabeça e o tiro atingiu seu queixo.A vítima disse aos procuradores que avisou o marido sobre a separação, e ele passou a ameaçá-la. Segundo Erika, ele teria dito que iria ?infernizar sua vida e a de sua família?. Na noite de sexta-feira, a mulher avisou Trochmann que havia obtido uma liminar de separação de corpos. Ele, então, trancou todas as portas e janelas da casa, pegou o revólver e lhe disse para começar ?a rezar porque você vai morrer?.Erika relatou que tentou conversar com o marido, mesmo quando ele a jogou no chão, imobilizando-a. Ele continuava a ameaçar a mulher e disse que ela ?iria morrer com classe?, conforme contou. A advogada pediu para ir ao banheiro e tentou fechar a porta, mas ele impediu e derrubou-a novamente no chão.?Você me traiu e agora vai morrer?, teria dito Trochmann. Antes de atirar, ele teria afirmado: ?Se você não me quer, ninguém mais vai tê-la?. O promotor está detido em São Paulo desde a manhã do sábado, no quartel da cavalaria da Polícia Militar. A advogada do promotor, Tereza Doro, disse nesta sexta-feira que estava aguardando ser informada da acusação para contestá-la. Ela avisou que irá defender a tese de tiro acidental. ?Na pior das hipóteses, nessa tese da Procuradoria, a acusação deve ser lesão corporal grave?, afirmou.Tereza alegou que houve desistência voluntária do homicídio, já que foi Trochmann quem socorreu a mulher e a levou ao hospital de Valinhos. O socorro, de acordo com ela, desclassifica o crime de homicídio, do qual discorda, para lesão corporal grave.

Agencia Estado,

13 de dezembro de 2002 | 17h49

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