Promotor foragido deixa pistas em Santa Catarina

Foragido há quase um ano após ter sido condenado a 16 anos e 4 meses de prisão pelo assassinato da mulher grávida, Patrícia Aggio Longo, o promotor Igor Ferreira da Silva está deixando rastros. A Polícia Civil tenta fechar o cerco e capturar o promotor, que teria percorrido a seguinte rota de fuga: Paraná, Santa Catarina, Rio, Santa Catarina e Chile. Os policiais de São Paulo avançaram na caçada ao promotor no dia 18. Os delegados Antônio de Olim e Aldo Galeano e o investigador Marco De Franco, da Divisão de Aeroportos, Proteção ao Turista, Dignatários e Corpos Consulares (Deatur), foram enviados a Florianópolis pelo delegado-geral, Marco Antônio Desgualdo, em busca de uma pista: Igor teria sofrido um pequeno acidente num vôo de asa-delta - esporte que sempre praticou. Ao desembarcarem na capital catarinense, os policiais paulistas tiveram um encontro com integrantes da Delegacia Anti-Seqüestro e de Inquéritos Especiais de Florianópolis, que possuem uma pasta de documentos que registram os passos de Igor e de um de seus irmãos, Iudi Ferreira da Silva, que está morando em Florianópolis. Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça de Santa Catarina levaram a polícia a concluir que Iudi é o elo de sustentação para a fuga do promotor. Igor, segundo os policiais, esteve na cidade de Florianópolis após ter sido condenado pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, em 18 de abril do ano passado. DisfarceA lista de ligações feitas por Iudi por meio de dois telefones (um celular e um fixo) e as gravações das conversas ajudaram a polícia a traçar a rota feita pelo promotor. Igor utiliza uma identidade falsa, usa boné o dia inteiro e está de barba. Sua primeira parada foi em Curitiba, na casa de uma amiga de sua mãe. O serviço reservado da Polícia Militar chegou ao local um dia após o promotor ter deixado a casa. O passo seguinte foi Florianópolis. Iudi está morando em uma casa de uma estreita rua de terra chamada Morada do Sol, no Canto da Lagoa. Os policiais catarinenses acreditam que o promotor esteve nessa casa. Um de seus melhores amigos, identificado apenas como Rogério, mora na cidade e trabalha no Tribunal de Contas. RioA queda de asa-delta não é considerada certa pela polícia. A suspeita se fortaleceu em telefonemas feitos por Iudi para um hospital do Rio. A escuta telefônica revelou que alguém da família foi levado à capital carioca para tratamento. Em seguida, o promotor teria retornado para Florianópolis e foi com Iudi, de carro, para o Chile. As escutas revelam que Iudi ligou para aquele país e passou o fim de ano por lá. A polícia local não tem dúvidas de que Iudi é a base para manutenção da fuga do promotor. Segundo os investigadores, o irmão do promotor não trabalha, mas se mantém sem dificuldades em Florianópolis. Apesar de escondida, a casa - alugada - é de alto padrão. Na garagem, ele possui dois carros: um Tempra e um Mercedes preto, ano 1980, com placa de Barra Velha (SC). Também tem uma namorada. No fim do ano, pediu a um de seus irmãos que levasse uma motocicleta desmontada e um telefone celular de São Paulo. A polícia descobriu que ele recebeu apenas a moto.

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