Promotor que matou jogador pode ser exonerado

O Conselho Superior do Ministério Público irá julgar nesta terça-feira, 20, pela terceira vez, o processo administrativo contra o promotor de Justiça Thales Ferri Schoedl, que matou a tiros o estudante Diego Mendes Modanez e feriu outro estudante, Felipe Siqueira Cunha de Souza, ambos de 20 anos. O crime ocorreu no dia 30 de dezembro de 2004 na saída de um luau na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral de São Paulo. Schoedl já havia sido expulso do MP em outras duas votação anteriores, mas voltou aos quadros da instituição em janeiro de 2006 graças a uma liminar do Tribunal de Justiça. Se o processo for novamente aprovado por 6 dos 9 membros do conselho, o promotor deixará de receber o salário de R$ 5.800 mensais (que ganha sem trabalhar efetivamente, já que está suspenso desde o crime) e não poderá mais ter posse de arma. Perde também o foro especial e vai ser julgado por júri popular. Homicídio qualificadoO procurador-geral de Justiça, Rodrigo Cézar Rebello Pinho, denunciou o promotor por homicídio qualificado - motivo fútil. Para o chefe do Ministério Público, Thales ´não deveria estar armado no local´. O Tribunal de Justiça desclassificou a acusação para homicídio simples. O promotor estava em estágio probatório, ou seja, não era vitalício no cargo, quando cometeu os crimes. Parentes e amigos das vítimas estarão presentes no MPE, acompanhando a decisão do conselho. Procurado pela reportagem, os advogados de Schoedl não foram encontrados para comentar o caso. ?A aprovação é o pontapé inicial para haver justiça?, disse o médico Wilson Pereira de Souza, pai de Felipe. ?O mais importante é que ele também não vai ter benefícios para ser julgado pelo seu ato?, afirmou.O crimeÀs 4 horas do dia 30 de dezembro de 2004, Thales matou a tiros o jogador de basquete Diego Mendes Modanez, em uma festa na Riviera de São Lourenço, Bertioga, litoral paulista. Os tiros do promotor também atingiram Felipe Siqueira Cunha de Souza, que sobreviveu.Thales afirmou que Diego, Felipe e outros rapazes haviam mexido com sua namorada, Mariana Ozores Bartoletti. Ele teria, então, advertido o grupo.Sentindo-se acuado, sacou a arma, uma pistola Taurus calibre 380 que levava sob a camiseta, e disparou. Seus advogados alegam que Thales agiu em legítima defesa.

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