Promotor que matou rapaz em Bertioga continua no cargo

O Conselho Superior do Ministério Público decidiu, na terça-feira, 20, manter o promotor Thales Ferri Schoedl no cargo. Apesar de a votação favorecer a exoneração do promotor - o resultado foi cinco a quatro - o número de votos não atingiu o mínimo necessário, que era de seis votos entre os nove conselheiros que se manifestaram. "Não concordo. Ele não tem condições de exercer o cargo", disse o procurador-geral de Justiça do Estado, Rodrigo Pinho. Schoedl matou a tiros o estudante Diego Mendez Modanez e feriu o estudante Felipe Siqueira Cunha de Souza, em dezembro de 2004. O crime ocorreu na saída de uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral de São Paulo.Com a decisão, o promotor mantém o foro especial e, a princípio, será julgado pelo órgão especial do Tribunal de Justiça, e não irá a júri. O corregedor-geral de Justiça, Antônio de Pádua Bertone Pereira, pode recorrer da decisão. "Se ele não fizer isso, vamos levar o caso a Comissão Interamericana de Direitos Humanos", disse o advogado do estudante Felipe de Souza, Pedro Lazarini. Schoedl já havia sido expulso do Ministério Público em outras duas votações que foram anuladas. "Eu posso falar que estou feliz. Tem que acreditar sempre na Justiça e em Deus. Agora a gente vai esperar o eventual recurso da Corregedoria", disse Schoedl, que participou da reunião. Para a mãe dele, Eurídice Ferri Schoedl, houve irregularidade nos outros julgamentos. "Nós temos a certeza da legítima defesa. Apesar de ele estar armado e os outros não estarem. O número de jovens que tentou agredi-lo era grande", declarou Eurídice.A família do estudante Felipe Souza aguardou em uma sala separada a decisão do Conselho. "É muito revoltante. Eu não entendo, promotor deveria promover a Justiça. Sei que da Justiça de Deus ele não vai escapar", disse Cecília Maria Siqueira Cunha de Souza, mãe do estudante ferido. Ela conversou com a mãe de Diego quando soube do resultado e contou que a mulher também não se conformou. AfastamentoDesde o crime, Schoedl ficou afastado das atividades da promotoria mas continua a receber o salário de R$ 10.800. O promotor ainda não foi informado quando poderá retornar ao seu trabalho. De acordo com o site Consultor Jurídico, Schoedl ainda reclama na Justiça o pagamento de R$ 284.352 de salários atrasados, referentes ao tempo em que ficou sem receber, do fim de 2004 até 2006.Participaram da votação os procuradores Antônio Augusto Mello de Camargo Ferraz, Drausio Lúcio Barreto, Fernando José Marques, Walter Paulo Sabella, José Benedito Tarifa, José Oswaldo Molinero, Marco Antônio Zanellato, Paulo Afonso Garrido de Paula e Daniel Roberto Fink. Os quatro primeiros decidiram dar o cargo vitalício a Schoedl. O corregedor Antônio Pereira esteve presente, mas não votou. Já Pinho, que também é integrante do Conselho, participou do início da reunião. Como ele assina a denúncia-crime contra o promotor, também não pôde votar.Schoedl disparou 12 tiros contra Modanez e Souza. O promotor disse que voltava para casa com a namorada Mariana Uzores Batoleti, então com 19 anos, quando um grupo de mais de dez rapazes passou a olhar para a moça. Ele afirmou ainda que agiu em legítima defesa.

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