Promotor recebe fitas sobre ação policial em Sorocaba

O promotor público Amaury Arfelli, designado pela Procuradoria Geral de Justiça do Estado para acompanhar o inquérito que apura as mortes de 12 integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) durante uma ação policial na rodovia Senador José Ermírio de Moraes no dia 5 de março, recebeu hoje duas fitas gravadas no local do tiroteio. O conteúdo das gravações pode ser útil, segundo ele, para definir se a ação dos policiais foi legítima, conforme relatou no inquérito a polícia civil. As fitas estavam nas câmeras instaladas no pedágio da rodovia, próximo do local onde os ocupantes do ônibus fretado pelo PCC entraram em choque com os policiais. O material foi encaminhado pelos peritos do Grupo de Repressão aos Delitos de Intolerância (Gradi) da capital, por requisição do Ministério Público. Arfelli disse que não sabia o conteúdo das fitas, pois vai assisti-las hoje à noite. "Pelas informações que recebi, apenas uma gravou cenas do local do confronto, mas a qualidade não é boa, pois a câmera estava contra o sol."O promotor, que recebeu na sexta-feira o inquérito relatado pela polícia civil de Sorocaba, disse que já pediu seu desmembramento em duas partes. Uma delas trata exclusivamente dos crimes cometidos por Evaristo Abreu dos Santos, preso horas depois do confronto, e que está sendo denunciado por roubo, formação de quadrilha, porte ilegal de arma e receptação - ele estava com um carro roubado. A outra, trata da investigação sobre as mortes, visando apurar se houve excesso na ação policial. O promotor requisitou à polícia de Sorocaba o exame residuográfico feito nas mãos dos mortos, que ainda não foi incluído no inquérito. Ele pediu mais informações sobre a origem das 13 armas apreendidas com os bandidos, das quais 8 foram usadas no confronto, e sobre o ônibus que teria sido alugado pelo PCC. "Falta também o laudo dos projéteis encontrados nos corpos dos mortos", disse. Arfelli tentará estabelecer a autoria dos disparos, já que dispõe da perícia feita nas 37 armas disparadas pelos policiais. Dessas, 10 apresentaram resultado negativo no exame que determinaria seu uso recente. "Isso não quer dizer que não foram usadas", ressalvou o promotor. O delegado titular do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter 7), Ivaney Cayres de Souza, disse que os pedidos do Ministério Público serão atendidos. Ele recebeu hoje os laudos complementares, inclusive o levantamento pericial do local do confronto. "Estamos juntando as peças que faltaram." O relatório do inquérito, assinado pelo delegado seccional interino, Ricardo Stanev, concluiu que a ação policial foi legítima. "Levantamos marcas de tiros comprovando que os ocupantes do ônibus dispararam contra os policiais", disse Souza.

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