Promotor vai recorrer da sentença sobre seqüestro de Olivetto

O promotor Marco Antonio Ferreira Lima apelou hoje ao Tribunal de Justiça de sentença que condenou a 16 anos de prisão os seqüestradores do publicitário Washington Olivetto - Mauricio Hernandez Norambuena, Alfredo Augusto Canales Moreno, Marco Rodolfo Rodrigues Ortega, Willian Gaona Becerra, Martha Lígia Urrego Mejia e Karina Dana Germano Lopez. Se as razões de apelação do promotor forem acolhidas pelo TJ, a pena será elevada para 20 anos e cumprida em regime integralmente fechado.Ferreira Lima quer que o seqüestro seja considerado "crime hediondo", circunstância negada pela juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 19ª Vara Criminal. Sem este item, os réus têm a possibilidade do benefício da progressão do regime da pena. Assim, após cumprirem apenas um sexto da pena de 16 anos (cerca de 2,5 anos), terão direito ao regime semi-aberto, em colônia agrícola, caso a sentença seja reformada. O promotor repudia a argumentação da juíza de que a exclusão do sistema progressivo torna a pena exclusivamente expiatória, dificultando a ressocialização do delinqüente.Lima pede também a condenação dos seqüestradores por crimes de formação de quadrilha e tortura, que a juíza entendeu não estarem configurados, absolvendo-os em conseqüência. Segundo o promotor, o grupo estava organizado em quadrilha para o cometimento de crimes. Nos computadores dos seqüestradores, apreendidos pela polícia, foram descobertos diversos relatórios sobre a rotina de Olivetto, nos últimos dois anos.De acordo com o promotor, o crime de tortura está fartamente provado no processo. As torturas foram físicas e psíquicas, afirmou. Olivetto esteve confinado durante 53 dias em um cubículo, até ser resgatado pela polícia, em 1º de fevereiro do ano passado. Tinha apenas um colchão, fazia as necessidades fisiológicas em um balde e apenas de quatro em quatro dias permitiam-lhe fazer a higiene pessoal. Uma lâmpada nunca se apagava e era obrigado a ouvir, sem interrupção, música em alto volume. Sofria constantes ameaças e era espancado sempre que pretendia gritar ou se mover. O cubículo era monitorado, dia e noite, por uma câmera.Por último, Lima quer que seja excluída da pena a "motivação política", reconhecida pela juíza, porque os seqüestradores pertenceriam a organizações chilenas de extrema esquerda, às quais destinariam o valor do resgate, cerca de US$ 10 milhões. O processo vai agora ao exame da defesa, que também poderá apelar, pleiteando a absolvição ou a redução da pena.

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